
Partidos do Centrão que admitem integrar a base do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pressionam por mais espaço no comando da articulação política e em ministérios do novo governo. União Brasil-PP, Republicanos, MDB e PSD discutem indicações para postos no Executivo e nas lideranças governistas do Congresso.
O PT ocupa atualmente a Casa Civil, o Ministério das Relações Institucionais e as lideranças do governo na Câmara, no Senado e no Congresso. As legendas do Centrão querem reduzir essa concentração petista como condição para ampliar a sustentação parlamentar de Lula.
O líder do Republicanos na Câmara, Augusto Coutinho (PE), defendeu uma composição mais ampla. “O governo tem que ser amplo. O presidente vai precisar de apoio e não pode fechar só com o PT no comando político. Isso foi um erro nesse governo Lula 3”, disse, ao ponderar que as conversas ainda não começaram.
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que o partido já recebeu um contato do governo. “Lula precisa ter uma postura para unir o país e aumentar o apoio, algo que não conseguiu no terceiro mandato”, declarou em entrevista à newsletter Jogo Político.

Disputa por ministérios e lideranças no Congresso
O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT), defende que a distribuição de cargos aos partidos venha acompanhada de compromisso de votos no Congresso. Durante o terceiro mandato, a ocupação de espaços na Esplanada não garantiu apoio constante às propostas do governo.
A pressão ocorre diante do crescimento da oposição no Legislativo. O PL de Flávio Bolsonaro terá 121 deputados federais no próximo ano, 24 a mais do que atualmente, e 29 senadores, mais de um terço da Casa. O PT contará com 70 deputados e dependerá de alianças com União Brasil, PP, Republicanos, PSD e MDB para formar maioria.
Entre as opções discutidas pelo Centrão está a indicação de Silvio Costa Filho (Republicanos-PE) para o Ministério das Relações Institucionais. Ex-ministro de Portos e Aeroportos, ele é próximo do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e exerce a liderança da maioria na Casa.
No PP, deputados tentam levar Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) à Esplanada, enquanto Moses Rodrigues (União-CE) e Pedro Lucas Fernandes (União-MA) buscam aval partidário para disputar ministérios.
No Senado, aliados de Lula avaliam manter Renan Filho (MDB-AL) no mandato e indicá-lo para a liderança do governo, evitando a substituição de senadores eleitos por suplentes. Renan Filho e Silvio Costa Filho disseram a aliados que não há definição sobre cargos; Lula concentra as decisões imediatas na sucessão do Ministério da Fazenda, onde Dario Durigan permanece como interlocutor da política econômica e Rafael Fonteles (PT) figura entre os nomes avaliados.