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Lideranças evangélicas abandonam Flávio Bolsonaro após derrota e carta golpista

Flávio Bolsonaro em culto. Foto: Evaristo Sá/AFP

Lideranças evangélicas da Igreja Universal e de Assembleias de Deus passaram a se afastar de Flávio Bolsonaro (PL) após a derrota do senador na disputa presidencial, sua tentativa de contestar o resultado das urnas e a divulgação de uma carta de teor golpista nos Estados Unidos. A informação é do jornal O Globo.

O movimento ocorre depois de apoios mais intensos à candidatura de Flávio no segundo turno. Pastores e bispos que se alinharam ao bolsonarista passaram a defender respeito ao resultado eleitoral ou a evitar manifestações sobre a carta em que ele se apresentou como “verdadeiro presidente eleito” e, depois, “líder” do país.

Na segunda (2), Flávio participou de um culto organizado por pastores brasileiros na Flórida, acompanhado do irmão Eduardo Bolsonaro e das esposas dos dois. A agenda religiosa marcou sua primeira aparição pública após deixar o Brasil e mostrou que ele ainda preserva aliados no segmento.

No culto do Ministério Celeiro, o pastor José Maurício dirigiu-se a Flávio sem mencionar diretamente a eleição. “Com Jesus você não perde. E, se perder, você está ganhando”, disse o religioso.

Edir Macedo, Silas Malafaia, César Augusto e Abner Ferreira
Montagem com Edir Macedo, Silas Malafaia, César Augusto e Abner Ferreira. Foto: Reprodução

Universal e Assembleias de Deus mudam o tom após a eleição

O bispo Edir Macedo, líder da Universal, teve um trecho de pregação republicado pelo bispo Alessandro Paschoall no dia seguinte à eleição. Macedo rejeitou o lema usado pelo bolsonarismo: “Na Universal, nós priorizamos essa hierarquia: primeiro Deus, depois família, e depois o resto. Não concordo com essa teoria ‘Deus, pátria e família’”.

Paschoall também sustentou durante a campanha que seu campo político “não é de direita ou de esquerda, e sim do reino de Deus”. A posição veio após um resultado ruim para nomes ligados à Universal: seis dos 12 deputados federais da igreja não conseguiram se reeleger.

Na Assembleia de Deus de Madureira, o bispo Abner Ferreira reconheceu a vitória de Lula no dia seguinte ao segundo turno. Dias depois, publicou que a democracia “exige maturidade, equilíbrio e respeito às decisões populares, independentemente das convicções e preferências individuais”.

O bispo JB Carvalho, da Comunidade das Nações, onde Flávio Bolsonaro foi batizado em 2024, afirmou que “as eleições terminaram” e que “não há terceiro turno”. O pastor também pediu que fiéis parassem de “profetizar o caos”.