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Por que bolsonarista Jorge, da dupla com Mateus, está sendo cancelado no Nordeste

A dupla Jorge & Mateus. Foto: reprodução

A dupla Jorge & Mateus passou a enfrentar pedidos de boicote a seus shows de Réveillon em Recife e Fortaleza após a circulação de um vídeo em que Jorge declara apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial de 2026. As críticas se intensificaram depois do anúncio dos sertanejos nas programações de fim de ano das duas capitais nordestinas.

Jorge fez a declaração em um encontro de cantores sertanejos com Flávio Bolsonaro, em 20 de outubro, em Nerópolis (GO). No vídeo, o músico afirma: “Pode chorar, mas eu não voto no PT”.

A gravação voltou a circular após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições e provocou reações nas redes sociais. Parte dos comentários partiu de internautas nordestinos, região em que Lula obteve ampla vantagem nas urnas.

“Não venham para o Ceará. Podem ir para o Sul”, escreveu uma internauta. Outros usuários pediram a retirada da dupla das festas públicas e levaram as críticas às redes do prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT), que anunciou a presença dos artistas no Ano-Novo. Os shows seguem previstos, e Jorge & Mateus ainda não se pronunciaram sobre o boicote.

Em 2018, Mateus se manifestou contra a eleição de Jair Bolsonaro.

Emenda para obras bancou show da dupla em Fartura

Em meio à repercussão política, Jorge & Mateus também tiveram o nome associado a uma denúncia sobre o uso de recursos públicos em Fartura, no interior de São Paulo. A administração municipal anterior usou uma emenda Pix de R$ 1,1 milhão, destinada a obras, para custear apresentações da Expofar, festa agropecuária realizada em abril de 2024.

Do total, a contratação de Jorge & Mateus recebeu R$ 556 mil. Os recursos também pagaram R$ 344 mil pelo show de Ícaro & Gilmar e R$ 240 mil pela apresentação de Clayton & Romário.

A nova gestão de Fartura identificou a destinação dos recursos após assumir a prefeitura e encaminhou documentos à plataforma Transferegov. Os papéis apontam que o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo constatou desvio de finalidade na aplicação da emenda.

A emenda deveria financiar obras no município, mas a administração anterior direcionou os valores para os cachês dos artistas e despesas da Expofar. A irregularidade entrou na documentação apresentada ao órgão federal de transferências de recursos.