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“A vitória na eleição não foi do PT”: Dirceu cobra “reconstrução urgente” do partido

José Dirceu em entrevista
José Dirceu. Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo

O ex-ministro José Dirceu (PT) afirmou que a reeleição do presidente Lula (PT) não representou uma vitória exclusiva do Partido dos Trabalhadores e defendeu a reconstrução da legenda. Derrotado na disputa por uma cadeira de deputado federal por São Paulo, ele cobrou um governo com participação maior de outras forças políticas e setores sociais.

Em entrevista ao jornal O Globo, Dirceu disse que Lula precisa transformar a composição do quarto mandato em um pacto político. Para ele, o presidente deve conduzir reformas tributária, financeira, política e do Judiciário com apoio de diferentes segmentos da sociedade.

O petista defendeu que a formação do governo contemple tanto os partidos com presença no Congresso quanto setores que não votaram em Lula, mas aderiram ao compromisso democrático. “Há um contrato com o povo brasileiro que ele firmou no discurso da vitória na Avenida Paulista”, afirmou.

Dirceu também sustentou que o PT deve ampliar a articulação com PSOL, Rede, PDT e PSB. “A vitória na eleição não foi do PT. Temos que tirar consequências disso, não pode só falar. Temos que fazer quase uma reconstrução do PT”, disse.

Lula na Avenida Paulista após vitória no segundo turno. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Dirceu cobra renovação e diálogo com eleitorado de Flávio Bolsonaro

Na avaliação do ex-ministro, a renovação interna do PT é “urgente”. Ele citou a necessidade de ampliar a presença de mulheres e jovens nas instâncias partidárias, fortalecer a formação política e melhorar a atuação da legenda nas redes sociais. A próxima renovação formal da direção está prevista para 2029, mas o partido deverá realizar congresso e discutir mudanças no estatuto.

Dirceu afirmou que a esquerda precisa dialogar com evangélicos e com os jovens que votaram em Flávio Bolsonaro (PL). “Nós não devemos estigmatizar, atacá-la como se fosse um pecado votar na direita. Temos que dialogar”, declarou, ao rejeitar a associação automática entre evangélicos e bolsonarismo.

Sobre uma eventual sucessão de Lula, o ex-ministro disse que nomes do campo progressista terão de se credenciar “governando ou liderando”. Ele mencionou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como uma liderança que ganhou espaço após comandar também o Ministério da Educação, mas afirmou que novos nomes devem surgir na atuação partidária e na luta democrática.

Ao tratar do ajuste fiscal, Dirceu reconheceu a existência de um problema relacionado à dívida pública, mas defendeu a redução dos juros e uma discussão sobre renúncias fiscais. Ele afirmou que Lula deve reunir forças políticas, empresários e movimento sindical e rejeitou medidas que atinjam a vinculação do salário mínimo, aposentadorias, saúde e educação.