
O ex-ministro José Dirceu (PT) afirmou que a reeleição do presidente Lula (PT) não representou uma vitória exclusiva do Partido dos Trabalhadores e defendeu a reconstrução da legenda. Derrotado na disputa por uma cadeira de deputado federal por São Paulo, ele cobrou um governo com participação maior de outras forças políticas e setores sociais.
Em entrevista ao jornal O Globo, Dirceu disse que Lula precisa transformar a composição do quarto mandato em um pacto político. Para ele, o presidente deve conduzir reformas tributária, financeira, política e do Judiciário com apoio de diferentes segmentos da sociedade.
O petista defendeu que a formação do governo contemple tanto os partidos com presença no Congresso quanto setores que não votaram em Lula, mas aderiram ao compromisso democrático. “Há um contrato com o povo brasileiro que ele firmou no discurso da vitória na Avenida Paulista”, afirmou.
Dirceu também sustentou que o PT deve ampliar a articulação com PSOL, Rede, PDT e PSB. “A vitória na eleição não foi do PT. Temos que tirar consequências disso, não pode só falar. Temos que fazer quase uma reconstrução do PT”, disse.

Dirceu cobra renovação e diálogo com eleitorado de Flávio Bolsonaro
Na avaliação do ex-ministro, a renovação interna do PT é “urgente”. Ele citou a necessidade de ampliar a presença de mulheres e jovens nas instâncias partidárias, fortalecer a formação política e melhorar a atuação da legenda nas redes sociais. A próxima renovação formal da direção está prevista para 2029, mas o partido deverá realizar congresso e discutir mudanças no estatuto.
Dirceu afirmou que a esquerda precisa dialogar com evangélicos e com os jovens que votaram em Flávio Bolsonaro (PL). “Nós não devemos estigmatizar, atacá-la como se fosse um pecado votar na direita. Temos que dialogar”, declarou, ao rejeitar a associação automática entre evangélicos e bolsonarismo.
Sobre uma eventual sucessão de Lula, o ex-ministro disse que nomes do campo progressista terão de se credenciar “governando ou liderando”. Ele mencionou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, como uma liderança que ganhou espaço após comandar também o Ministério da Educação, mas afirmou que novos nomes devem surgir na atuação partidária e na luta democrática.
Ao tratar do ajuste fiscal, Dirceu reconheceu a existência de um problema relacionado à dívida pública, mas defendeu a redução dos juros e uma discussão sobre renúncias fiscais. Ele afirmou que Lula deve reunir forças políticas, empresários e movimento sindical e rejeitou medidas que atinjam a vinculação do salário mínimo, aposentadorias, saúde e educação.