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Disputa pela herança do fundador da Unip envolve suspeita de fraude e exame de DNA negativo

Unip. Foto: Divulgação

A disputa pela herança de João Carlos Di Genio, fundador da Unip, passou a envolver um exame de DNA, traições e uma cobrança de cerca de R$ 1 bilhão por mais de 400 lotes em Piraju, no interior de São Paulo, e uma investigação sobre possível fraude documental, segundo o UOL. A Justiça decretou em 15 de outubro a prisão preventiva de seis investigados no caso.

A Colonizadora Planalto Paulista alega que Di Genio comprou os terrenos três meses antes de morrer, em 2022. A família do empresário e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) contestam a operação e apontam indícios de falsificação em documentos usados para cobrar a suposta dívida dos herdeiros.

Sandra Miessa, reitora da Unip e companheira de Di Genio, afirma que ele não assinou os papéis da compra. Ela classificou como “absurdo” que o fundador da universidade investisse em uma área onde não seria permitido instalar um campus, já que o zoneamento prevê empreendimentos turísticos ou residenciais.

Um estudo imobiliário contratado pela família avaliou lotes do conjunto em valores irrisórios ou de até R$ 16 milhões, distante da cobrança bilionária. A Colonizadora notificou os herdeiros em agosto de 2024 e, em janeiro de 2025, um fórum arbitral condenou a família ao pagamento; Miessa diz que não sabia da existência da arbitragem.

Di Genio e Sandra Miessa. Foto: Zé Carlos Barretta/Folhapress

Laudo aponta assinaturas falsas em processo arbitral

Uma análise do Instituto de Criminalística identificou assinaturas falsas de Di Genio, de seu cunhado e do ex-diretor do Grupo Unip-Objetivo Jorge Brihy no procedimento arbitral. O laudo apontou a reprodução de rubricas que constavam em documentos públicos registrados na Junta Comercial de São Paulo.

A única assinatura não questionada foi a do ex-policial Rubens Bolorino, apresentado como testemunha do negócio e amigo do médico Luiz Teixeira. A defesa de Teixeira nega que ele tenha participado das tratativas em Piraju e afirma que vai contestar a prisão preventiva, confiando que “o exame técnico dos documentos originais e o contraditório judicial esclarecerão os fatos”.

A disputa também alcança Bruno Pará, administrador que busca reconhecimento como filho afetivo de Di Genio e reivindica participação no inventário. Um exame de DNA realizado em 2025, após a exumação do corpo do empresário, deu resultado negativo; Pará alega que recebeu custeio de estudos e depósitos mensais de cerca de R$ 23 mil como prova de vínculo familiar.

Documentos de cartório indicam que os advogados Marcelo Barone e Ivan Sartori figuram como beneficiários de Pará caso ele ingresse na herança. Sartori, que já atuou para a Colonizadora contra Di Genio, declarou que nunca representou os interesses do empresário ou de seus herdeiros e que não defende mais Luiz Teixeira.

O inventário é estimado em ao menos R$ 16 bilhões e ainda não tem previsão de conclusão.