
O governo de Javier Milei classificou como “irrelevante” saber se participou da saída de Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado na eleição presidencial brasileira, rumo à Argentina antes de sua chegada aos Estados Unidos. A resposta partiu do porta-voz da Casa Rosada, Adrián Ravier, durante entrevista coletiva nesta terça-feira (03).
Questionado sobre uma eventual participação do presidente argentino, de autoridades do país ou do serviço de inteligência na viagem, Ravier disse que a análise sobre a autorização para Bolsonaro deixar o Brasil cabe aos órgãos brasileiros. “Nós não temos muito mais para dizer a respeito do tema. O tema para nós está finalizado”, afirmou.
O porta-voz declarou que Flávio entrou na Argentina com documentação válida e que a Direção Nacional de Migrações adotou os procedimentos aplicáveis a qualquer viajante. Ravier sustentou que não havia pedido de captura internacional nem irregularidade na entrada do brasileiro no país.
Quando o jornalista insistiu em perguntar se Milei sabia do plano de saída, Ravier respondeu que não tinha essa informação. Em seguida, afirmou que “nos parece irrelevante o fato de Bolsonaro sair do Brasil e entrar na Argentina”, porque ele teria passado pela aduana com documentos adequados.

Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos com a família na quarta-feira (28), depois de passar pela Argentina e pelo Equador em uma aeronave. A Justiça havia determinado a entrega de seus passaportes no âmbito de diversas investigações.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou no sábado (31) que Washington não participou diretamente dos arranjos para a saída do ex-candidato. O presidente Donald Trump, por sua vez, disse que Bolsonaro poderia permanecer no país “por tanto tempo quanto quisesse”.
Os jornais “The New York Times” e “The Wall Street Journal” informaram que Jason Miller, assessor de Trump, fretou a aeronave usada na viagem. O diretor da companhia aérea disse à AFP que um intermediário pagou o voo a partir de uma conta bancária americana.
Ravier também afirmou que Buenos Aires pretende manter as relações comerciais com o Brasil, apesar das diferenças ideológicas entre Milei e o presidente reeleito Lula (PT). Ele disse que o governo argentino ainda não recebeu convite formal para a Cúpula do Mercosul, marcada para 4 e 5 de dezembro, em Montevidéu.