
Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro indicam que o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, discutiu com o então dono do Banco Master os termos da venda de metade da BRB Financeira a um grupo liderado pelo empresário José Ricardo Lemos Rezek. A operação acabou cancelada após questionamentos do Banco Central e a crise que atingiu o Master.
Os diálogos tratam de um acordo de acionistas que daria ao grupo de Rezek, aliado de Rueda, maioria de votos no conselho da companhia mesmo com 49% do capital. Rueda enviou a Vorcaro, em 1º de julho de 2024, um trecho da minuta, e o banqueiro sugeriu incluir poderes para operações financeiras e de crédito.
A minuta citava o BRB e previa autonomia ampla para diretores indicados pelo consórcio, inclusive o diretor financeiro. Quatro dias depois da conversa, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, anunciou ao mercado uma “parceria estratégica” entre o banco e o grupo de investidores.
Vorcaro também avisou Rueda que viajaria para Brasília a fim de se reunir com ele. “Devo pousar 16:30 e vou direto para ai”, escreveu o banqueiro, antes de receber o endereço do dirigente do União Brasil. As mensagens apontam ao menos dois encontros presenciais entre os dois no Lago Sul.

Operação previa R$ 320 milhões e enfrentou resistência no Banco Central
O consórcio liderado por Rezek se comprometeu a pagar R$ 320 milhões em dez parcelas anuais pela participação na financeira. Fontes do BRB estimaram em cerca de R$ 90 milhões o lucro anual da empresa, valor superior às parcelas previstas no contrato.
O Banco Central identificou problemas na comprovação da origem dos recursos da operação e divergências no acordo de acionistas. O regulador barrou a transferência de capital, e o grupo de Rezek recorreu, mas não recebeu uma decisão final antes do agravamento das apurações sobre negócios entre o BRB e o Master.
O negócio foi cancelado no fim de 2025. Em reunião após a liquidação do Banco Master e a prisão de Vorcaro, dirigentes do Banco Central avisaram representantes do BRB que, se a instituição não encerrasse a transação, o próprio regulador tomaria essa medida.
Rueda afirmou que sua atuação em assuntos ligados ao Banco Master “limitou-se à assessoria jurídica”, sob sigilo profissional. Rezek disse que nunca tratou da BRB Financeira com Rueda e Vorcaro, classificou sua entrada como investimento minoritário e afirmou que desistiu da operação após análises mercadológicas e técnicas. A defesa de Vorcaro informou que não comentaria as mensagens.