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VÍDEO: Paraguaios vão às ruas após intervenção a banco e governo responde com violência

Manifestantes em Assunção, no Paraguai. Foto: reprodução

Centenas de depositantes e aposentados foram às ruas de Assunção, no Paraguai, na terça-feira (3), para exigir a devolução integral dos recursos mantidos no Ueno Bank. Os protestos ocorreram um dia após o Banco Central do Paraguai assumir o controle da instituição, enquanto oito dirigentes e ex-dirigentes do banco foram presos.

O grupo se concentrou diante do Panteón Nacional de los Héroes, na área central da capital, informou o jornal paraguaio ABC Color. A manifestação começou de forma pacífica, mas houve correria e confrontos após parte dos participantes tentar seguir em direção à sede do Congresso e encontrar bloqueio da Polícia Nacional, que reagiu com truculência.

Os choques se espalharam por pontos da região histórica de Assunção. Policiais contiveram o avanço dos manifestantes, que cobravam uma solução para os depósitos temporariamente indisponíveis desde a abertura do procedimento de resolução do banco.

Outro grupo se reuniu diante da Mburuvicha Róga, residência oficial do presidente Santiago Peña, do Partido Colorado. Os participantes cobraram do governo a restituição de valores aplicados pelo Instituto de Previsión Social e por fundos de aposentadoria na instituição financeira.

Manifestantes cobram garantia do Estado para os depósitos

Cartazes exibidos no ato pediam uma garantia pública para a devolução completa dos valores. “O Estado deve garantir 100% dos fundos”, dizia uma das mensagens levadas pelos manifestantes à frente da residência presidencial.

Parte do grupo também pediu que Peña responda judicialmente pelo caso e seja preso. Houve atritos e empurrões entre manifestantes e policiais no entorno da residência oficial.

Na segunda-feira (2), o Banco Central do Paraguai decidiu por unanimidade iniciar o procedimento de resolução do Ueno Bank. A autoridade monetária constatou que o índice de solvência da instituição havia caído para menos de 50% do patamar mínimo previsto pela legislação.

O Ueno Bank, banco digital que reunia cerca de 2,9 milhões de clientes, suspendeu suas operações com a intervenção. O Fundo de Garantia de Depósitos do país cobre até 228,3 milhões de guaranis, cerca de R$ 210 mil, por depositante e por instituição financeira.

A Fiscalía ordenou a prisão de oito dirigentes e ex-dirigentes, entre eles o presidente do banco, Juan Manuel Gustale, e o empresário Miguel Vázquez. Em meio à crise, Peña pediu a renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Cavallo, ex-dirigente do Ueno Bank, que deixou o cargo na terça-feira (3).