
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou a noite desta terça-feira (3) isolado em sua residência particular na Casa Branca, enquanto acompanhava a derrota do Partido Republicano nas eleições legislativas. Segundo reportagem do Daily Mail, o republicano evitou participar da reunião organizada para acompanhar a apuração e permaneceu ao lado da chefe de gabinete, Susie Wiles, e da assessora Natalie Harp. A primeira-dama, Melania Trump, não estava com ele.
Segundo o Daily Mail, enquanto ministros, assessores e aliados do movimento MAGA acompanhavam os resultados no Salão Leste, Trump permaneceu no andar superior. Conforme a dimensão da vitória democrata ficou clara, integrantes do governo começaram a abandonar o evento. O secretário de Estado, Marco Rubio, esteve presente no início da noite, mas deixou o local antes do encerramento. Quando os democratas conquistaram a maioria na Câmara dos Representantes, pouco antes das 22h, o salão estava praticamente vazio.
A reação do presidente foi descrita por integrantes do governo como uma mistura de silêncio e irritação. “O clima na residência está muito, muito sombrio”, afirmou um alto funcionário da administração. Outra fonte próxima a Trump relatou que, por volta das 23h, ele assistia à Fox News praticamente sem falar. “Ele está assistindo à Fox News, mal pronuncia uma palavra e está paralisado pelo silêncio”, declarou.
Apesar do isolamento, Trump utilizou sua rede social, Truth Social, para responsabilizar terceiros pelos resultados. “A Fox News tem responsabilidade por essas derrotas”, escreveu. O presidente também atacou o governador do Texas, Greg Abbott, depois da perda do Senado pelos republicanos. Horas antes, havia elogiado Abbott como um político forte, respeitado e excepcional. Em outra publicação, afirmou: “Teríamos vencido DE LAVADA!”, acrescentando que não estava na cédula eleitoral.
A derrota provocou uma crise entre os principais integrantes da administração. Segundo o Daily Mail, funcionários da Casa Branca já discutiam possíveis demissões e apontavam Marco Rubio e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, como eventuais responsáveis pelo resultado. Um integrante do governo relacionou o desempenho republicano à guerra contra o Irã. “Esta noite teria sido muito diferente sem a guerra no Irã”, afirmou. A mesma fonte disse acreditar que Trump acabará responsabilizando Hegseth.

O conflito com o Irã também passou a ser apontado por integrantes do Partido Republicano como um dos fatores da derrota. Segundo os números apresentados pela reportagem, a guerra já custou pelo menos US$ 47 bilhões aos contribuintes estadunidenses, enquanto o preço da gasolina chegou a US$ 4,15 por galão. Um importante financiador republicano afirmou que a situação política de Rubio estava comprometida e sugeriu que outros integrantes envolvidos na política externa de Trump também poderiam sofrer consequências.
A chefe de gabinete Susie Wiles tornou-se outro alvo das críticas internas. Uma fonte afirmou que ela e seus aliados garantiam, até os últimos dias, que os republicanos venceriam as eleições. O consultor político Chris LaCivita, próximo de Wiles, teria apresentado avaliações otimistas ao presidente em reuniões semanais. Na manhã da votação, assessores ainda discutiam a possibilidade de ampliar as bancadas republicanas nas duas casas do Congresso. “Delirantes. Eles estavam delirantes até o último momento”, afirmou a fonte.
O temor de uma reorganização do governo levou funcionários a procurar bares próximos à Casa Branca após a apuração. Alguns discutiram a possibilidade de faltar ao trabalho no dia seguinte, enquanto outros especulavam sobre quem permaneceria no cargo. “Se o chefe for esperto, fará um expurgo de todos amanhã para salvar seu legado”, declarou uma fonte ligada ao governo. Entre os nomes mencionados para uma eventual substituição de Wiles estava John McEntee, responsável pela área de pessoal durante o primeiro mandato de Trump.
Apesar das pressões, a saída de Wiles enfrenta resistências devido à influência que ela acumulou sobre a estrutura política republicana. Um alto funcionário afirmou que a chefe de gabinete controla boa parte das indicações, das relações com candidatos e da articulação partidária. “Ela é a maestrina desta orquestra”, declarou. Segundo a fonte, qualquer integrante escolhido para assumir a responsabilidade pela derrota provavelmente teria sido indicado pela própria Wiles.
A crise também atingiu a sede do Comitê Nacional Republicano, onde, segundo uma testemunha, o silêncio tomou conta do ambiente durante a apuração. Em um restaurante frequentado por aliados do movimento MAGA, um assessor parlamentar resumiu a preocupação com o futuro: “Nossa, estou prestes a perder meu emprego”. O episódio ocorre quatro anos depois das eleições legislativas de 2022, quando Trump também reagiu com irritação aos resultados negativos de candidatos apoiados por ele. Desta vez, segundo os relatos publicados pelo Daily Mail, o presidente terminou a noite afastado da maior parte de sua equipe, enquanto auxiliares aguardavam possíveis mudanças no governo.