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BC interrompe cortes e mantém Selic em 13,75% após reeleição de Lula

Gabriel Galípolo Lula
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central e o presidente Lula. Foto: Danilo Verpa/Folhapress

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, manter a Selic em 13,75% ao ano nesta quarta-feira (4), na primeira reunião após a reeleição do presidente Lula (PT). O comunicado da decisão cita aumento das incertezas e das expectativas de inflação para justificar a cautela.

A decisão interrompe uma sequência de cinco cortes de 0,25 ponto percentual iniciada em março. Nesse período, a taxa básica recuou de 15% para 13,75% ao ano, uma redução acumulada de 1,25 ponto percentual. A Selic serve de referência para os juros cobrados em empréstimos e financiamentos.

No cenário internacional, o colegiado apontou o prolongamento dos conflitos no Oriente Médio, seus efeitos sobre o petróleo e os juros mais restritivos nas economias avançadas. No Brasil, afirmou acompanhar os impactos da política fiscal sobre os ativos financeiros e destacou o risco de um câmbio persistentemente depreciado pressionar os preços.

As projeções do próprio Copom para o IPCA passaram a 5,6% em 2026 e 4,7% em 2027. Para o segundo trimestre de 2028, horizonte que orienta a decisão atual, a estimativa subiu para 3,5%. A meta de inflação é de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

Banco Central do Brasil
Banco Central. Foto: Pablo Jacob/Agência O Globo

O BC também reconheceu uma desaceleração mais acentuada da atividade econômica e sinais de desaquecimento no mercado de trabalho, que ainda considera resiliente. Na avaliação do comitê, a combinação de juros restritivos, economia em moderação e expectativas de inflação mais altas exige “serenidade e cautela”.

A manutenção ocorre em meio às críticas do economista André Lara Resende ao custo dos juros sobre a dívida pública. Integrante da equipe do Plano Real, ele sustenta que a Selic elevada é a principal causa do desequilíbrio fiscal e defende mudanças na coordenação das políticas fiscal e monetária.

O Copom, presidido por Gabriel Galípolo, não antecipou qual será seu próximo movimento e afirmou que seguirá acompanhando os dados para assegurar a convergência da inflação à meta. A última reunião do ano está marcada para 8 e 9 de dezembro.