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Empresa do Smart Sampa foi criada 29 dias após contrato com gestão Nunes

Agentes no centro de monitoramento do Smart Sampa
Agentes no centro de monitoramento do Smart Sampa, em imagem de arquivo. Foto: Karime Xavier/Folhapress

A SentinelX, responsável pela plataforma digital do Smart Sampa, foi criada 29 dias após a assinatura do contrato entre a Prefeitura de São Paulo e o consórcio Smart City SP, em agosto de 2023. A informação consta de registros da Junta Comercial paulista consultados pela Folha de S.Paulo.

A empresa passou a integrar o consórcio no lugar da Camerite, fornecedora de tecnologia de câmeras de vigilância de Joinville (SC). A mudança foi aprovada pela gestão municipal em outubro de 2024, quando o programa já havia sido inaugurado. O nome SentinelX aparece nos sistemas usados por agentes de segurança para consultar imagens e dados associados ao reconhecimento facial.

A plataforma está no centro de reportagens sobre acessos indevidos a câmeras e informações restritas. Informações disponíveis no site da companhia indicam que o acesso não autorizado revelado nas apurações ocorreu por meio de sua tecnologia.

Ricardo Nunes sentado, com o queixo apoiado na mão
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes. Foto: Danilo Verpa/Folhapress

A Prefeitura de São Paulo negou fragilidades nos mecanismos de segurança do programa e atribuiu o episódio a um vazamento ilegal de dados cometido por um servidor da Guarda Civil Metropolitana, entre mais de 7.500 agentes com acesso. Procuradas por email, telefonemas e mensagens, a SentinelX e o consórcio Smart City SP não responderam à reportagem.

O professor Marcelo Proença, da FGV Law, afirmou que alterações na composição de consórcios contratados pelo poder público são vedadas como regra e admitidas excepcionalmente, conforme o entendimento do Tribunal de Contas da União. Para ele, contratos que envolvem informações sensíveis exigem atenção ao histórico e à capacidade dos prestadores. O especialista também apontou que o Cade pode analisar atos posteriores à licitação se houver suspeita de restrição à concorrência.

Outra questão envolve as credenciais apresentadas pela SentinelX. A companhia se anunciava em seu site como Empresa Estratégica de Defesa (EED) e parceira da Microsoft. Segundo a Folha, porém, não consta da lista de empresas credenciadas pelo Ministério da Defesa. Há um produto chamado SentinelX registrado em nome da Bembras Integração e Engenharia, que tem um sócio em comum com a companhia, mas não possui participação societária nela.

A marca de EED foi retirada do site entre 22 e 23 de outubro, depois que a Folha questionou o Ministério da Defesa, que não respondeu ao jornal. A Microsoft Brasil informou que, após verificações internas, não identificou a SentinelX entre as participantes de seu programa de parceiros.

Na abertura, a SentinelX pertencia ao advogado Kayan Rodrigues Capelozzi Adaide. Três novos sócios ingressaram em maio de 2025, quando a empresa já integrava o consórcio. Entre eles está Jorge Marques Moura, também sócio da CLD, antiga Consladel, outra integrante do Smart City SP.

Moura e a CLD foram alvo de acusações de prejuízo à Prefeitura de Manaus, caso em que houve bloqueio de bens em 2015. A ação foi posteriormente arquivada por irregularidade na apresentação da denúncia; neste ano, o STJ reconheceu a prescrição. Em São Paulo, a gestão Nunes decidiu substituir a coordenação do programa após as revelações sobre acessos indevidos.