
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), rebateu na quarta-feira (4) críticas do PL e afirmou que políticos obtiveram votos ao ofender e agredir adversários. A fala ocorreu no plenário após o líder da legenda, Carlos Portinho (PL-RJ), cobrar a votação de uma proposta para reduzir a maioridade penal.
Alcolumbre disse que alguns parlamentares deixam o debate e partem para ataques contra a presidência da Casa. “Infelizmente, muitos atores políticos do meu país chamado Brasil se promoveram e ganharam a eleição ofendendo e agredindo as pessoas”, afirmou.
O senador associou esse comportamento à busca por apoio de um “radicalismo horrível” e disse que agressões, ameaças e mentiras passaram a prevalecer no ambiente político. Para ele, parte dos vencedores explorou críticas ao Judiciário, ao Executivo e ao próprio comando do Senado porque essa estratégia “dava voto na eleição”.
Alcolumbre também criticou os questionamentos às urnas eletrônicas após o segundo turno. Sem citar Flávio Bolsonaro pelo nome nesse trecho, afirmou que os equipamentos foram aceitos quando elegeram “120 deputados federais” e mais de 20 senadores de um partido, mas passaram a ser contestados após a derrota de seu candidato à Presidência.
“Abriu as urnas e ganharam a eleição, mas o pior de tudo isso é que no primeiro turno a urna eletrônica prestou […] ela serviu para eleger 120 deputados federais do partido do candidato que perdeu a eleição, serviu para eleger 20 e tantos senadores, ela serviu para comemorar uma eleição vitoriosa do adversário do presidente Lula […] e quando abriu no segundo turno, não prestou mais a urna”, disse o presidente do Senado.
Davi Alcolumbre perdeu a paciência com o PL no senado e com o ímpeto golpista da extrema direita brasileira
“Infelizmente, muitos atores políticos do meu país chamado Brasil se promoveram e ganhar eleição ofendendo e agredindo as pessoas.” https://t.co/wV1YDOOVph
— Cleber Lourenço (@ocolunista_) November 4, 2026
PEC da maioridade penal motivou embate entre Alcolumbre e Portinho
O confronto começou após Portinho exigir que o Senado votasse ainda nesta quarta-feira uma Proposta de Emenda à Constituição sobre a redução da maioridade penal. Mais cedo, Alcolumbre havia informado que não colocaria o texto em votação porque a Câmara iniciou a discussão antes do Senado.
O PL defende reduzir a maioridade penal para 14 anos em casos de crimes hediondos e para 16 anos nos demais crimes. Portinho sustentou que Alcolumbre descumpriu um acordo fechado entre líderes no dia anterior para acelerar a tramitação da proposta.
Na tribuna, o líder do PL afirmou que o Senado não deveria se submeter ao Judiciário ou à Câmara e cobrou o presidente da Casa. “O senhor fez um compromisso; compromisso é para ser cumprido”, disse Portinho, dirigindo-se a Alcolumbre.
“O Senado hoje está submetido ao Poder Judiciário e à Câmara dos Deputados. E o presidente do Congresso, senhor Davi, o senhor é o presidente do Congresso, senador. Não é o presidente do Congresso, senhor Davi? O senhor é o presidente do Congresso, senador! Não é a Câmara dos Deputados que diz como vai ser, o Senado é a Casa Alta. O senhor fez um compromisso; compromisso é para ser cumprido”, disse Portinho.
Senadores governistas defenderam Alcolumbre e classificaram a intervenção de Portinho como um ataque à condução da presidência. O líder do PL respondeu que não ofendeu ninguém, negou ter tratado das urnas eletrônicas em seu discurso e voltou a cobrar explicações sobre o acordo que, segundo ele, não foi cumprido.