
Uma nova onda de ameaças de bomba atingiu ao menos 15 voos comerciais na Europa nesta quinta-feira (5), provocando desvios de rota, pousos de emergência, inspeções e a mobilização de caças militares. Quatro dos alertas envolveram aeronaves com destino a Praga, na República Tcheca, dois dias após episódios semelhantes afetarem outros sete aviões.
Um Airbus A320 da Aer Lingus, que seguia de Dublin para Roma, desviou para a base aérea militar de Évreux, no oeste da França, após receber uma ameaça. A aeronave transportava 151 passageiros e seis tripulantes, levados a um local seguro após o pouso.
Um caça francês acompanhou o A320 durante a aproximação à base, onde equipes especializadas em desativação de explosivos iniciaram os procedimentos de segurança. O gabinete do primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, informou que monitorava a situação em tempo real.
Na Áustria, um voo da Wizz Air entre Milão e Varsóvia pousou em Viena após um alerta. Outra aeronave da empresa, também vinda de Milão, aterrissou em Bucareste, na Romênia, com 182 passageiros e passou por inspeção depois de o aeroporto acionar seus protocolos de emergência.

Alertas alcançaram Itália, Bulgária, Polônia e República Tcheca
Três voos da Ryanair enfrentaram medidas de segurança na Bulgária. Um avião que partiu de Stansted, em Londres, rumo a Sófia, desviou para Plovdiv; dois outros, que saíram de Madri e Copenhague, pousaram na capital búlgara e passaram por inspeções.
Na Itália, caças da Força Aérea escoltaram um voo da Finnair de Helsinque para Roma após uma ameaça recebida enquanto a aeronave estava no ar. O avião aterrissou no destino previsto e especialistas revistaram a aeronave. Um segundo voo da companhia, operado pela Jettime e destinado a Viena, recebeu alerta que depois foi considerado falso.
A LOT Polish Airlines confirmou ameaças contra voos entre Varsóvia e Bruxelas e entre Varsóvia e Paris. As aeronaves pousaram e passaram por verificações de segurança, sem que as equipes encontrassem indícios de explosivos.
A polícia tcheca recebeu alertas sobre possíveis artefatos em quatro aeronaves que se dirigiam a Praga e organizou uma operação com as equipes do aeroporto para inspecioná-las após a aterrissagem. “Avaliamos que a credibilidade das ameaças é baixa. Ainda assim, não subestimamos a ameaça”, afirmou a corporação no X.
Na terça-feira, ao menos sete voos de companhias como Ryanair, LOT, Scandinavian Airlines e Wizz Air também sofreram inspeções ou desvios. Nenhum explosivo foi encontrado, e o governo britânico classificou os alertas daquela ocasião como “ameaças falsas e maliciosas”.
A sequência começou na segunda-feira, quando um voo da Wizz Air que saiu de Luton, em Londres, realizou pouso de emergência em Budapeste, na Hungria, escoltado por um caça húngaro. A empresa informou depois que a inspeção não localizou material suspeito.
As autoridades ainda não estabeleceram ligação entre os casos nem identificaram responsáveis. Para Matt Borie, especialista em segurança aérea, a frequência dos alertas aponta para “uma ligação, seja com um indivíduo ou com uma campanha conduzida por um grupo”, com objetivo de provocar transtornos generalizados nas operações aéreas.