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Presidente do Paraguai renuncia após escândalo com banco

Santiago Peña. Foto: Reprodução

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo em meio à crise provocada pela intervenção e pelo fechamento do Ueno Bank. A saída ocorreu após a Câmara dos Deputados anunciar apoio ao processo de impeachment e informar que havia votos suficientes para levar adiante a destituição.

Parlamentares paraguaios apresentaram nesta quinta (5) uma ampliação da denúncia sobre o escândalo financeiro envolvendo o banco. O documento inclui Peña, o ex-presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo Spalding, e antigos integrantes da direção da autoridade monetária.

Com ao menos 42 páginas, a representação foi assinada pelos senadores Rafael Filizzola, Esperanza Martínez, Yolanda Paredes, Ever Villalba, Rubén Velázquez e Ignacio Iramain, além dos deputados Raúl Benítez, Leide Galeano, Johana Ortega e Billy Vaesken.

O grupo ampliou uma denúncia protocolada em 22 de outubro de 2025 sobre interesses de Peña e de pessoas próximas a ele no grupo financeiro Ueno.

Os parlamentares argumentam que autoridades do Banco Central tinham conhecimento, desde abril de 2026, de problemas financeiros e operacionais do Ueno Bank, mas não tomaram a tempo as medidas previstas em lei. A denúncia aponta possíveis irregularidades na fiscalização da instituição e na aplicação de recursos públicos no banco.

Protestos em meio ao colapso do Ueno Bank, o maior banco digital e principal emissor de cartões de crédito do país. Foto: Reuters

Denúncia cita depósitos de órgãos públicos e falhas na supervisão

O documento questiona depósitos de recursos públicos no Ueno Bank feitos pelo Instituto de Previdência Social, pela Itaipu Binacional, pela Entidade Binacional Yacyretá e pelo Ministério da Economia. Os autores pedem que o Ministério Público investigue cada decisão para verificar eventual prejuízo ao Estado ou atuação conjunta entre responsáveis pelas operações.

Com a intervenção do Banco Central e o início da resolução do banco, os denunciantes afirmam que parte desses depósitos ficou exposta a possíveis perdas. Valores acima da cobertura do Fundo de Garantia de Depósitos, limitada a 228,3 milhões de guaranis por depositante, dependem do resultado do processo de resolução da instituição.

O Banco Central identificou, em 29 de abril, operações acima dos limites permitidos com empresas vinculadas ao Ueno Bank. Em 16 de junho, a Superintendência de Bancos considerou a situação regularizada após a transferência de uma carteira de crédito de três empresas à Vinanzas SA, no valor de US$ 74,4 milhões; os parlamentares dizem que o próprio Ueno financiou a operação com empréstimos.

A diretora Carmen Marín alertou em 29 de junho para um déficit de solvência, e a área técnica classificou a transferência da carteira como uma “operação proibida” em 5 de agosto. O Banco Central iniciou a resolução do Ueno Bank em 2 de novembro, e Carvallo deixou a presidência da autoridade monetária no dia seguinte.