
Pedro Alliana, de 52 anos, é o vice-presidente do Paraguai e deve assumir o comando do país após a renúncia de Santiago Peña, anunciada nesta quinta-feira (5). Integrante do Partido Colorado, legenda que governa o país há décadas, ele construiu sua carreira política como governador, deputado e dirigente partidário. Sua chegada à Presidência ocorre em meio ao escândalo financeiro do Ueno Bank, no qual também foi citado em um pedido de impeachment apresentado pela oposição.
Nascido em 19 de fevereiro de 1974, na cidade de Pilar, capital do departamento de Ñeembucú, no sudoeste paraguaio, Alliana é casado e tem quatro filhos. Formado em Relações Internacionais pela Universidade San Sebastián, trabalhou no comércio antes de ingressar na vida pública.
O esporte também fez parte de sua juventude. Alliana integrou a seleção paraguaia de basquete e disputou torneios nacionais da modalidade. Posteriormente, passou a se dedicar à política, área em que ocuparia diferentes cargos ao longo das duas décadas seguintes.
Sua primeira experiência de destaque na administração pública ocorreu em 2008, quando foi eleito governador de Ñeembucú. Permaneceu no cargo até 2012 e, no ano seguinte, conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados do Paraguai, onde exerceu mandato durante dez anos.
No Legislativo, Alliana ampliou sua influência dentro do Partido Colorado, oficialmente denominado Associação Nacional Republicana. Presidiu a Câmara em diferentes períodos e comandou a legenda entre 2016 e 2023. O partido é uma das principais forças políticas do Paraguai e mantém presença dominante na estrutura de poder do país há décadas.
Em 2023, Alliana foi escolhido para integrar a chapa presidencial de Santiago Peña. A dupla venceu as eleições daquele ano, e ele assumiu a Vice-Presidência em agosto. Durante o mandato, participou de compromissos oficiais e missões diplomáticas, incluindo um encontro com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em outubro de 2026.

Alliana também mantinha planos de disputar a Presidência em 2028. Em abril deste ano, anunciou sua pré-candidatura com apoio de Peña e do ex-presidente Horacio Cartes, outra liderança do Partido Colorado. Na segunda-feira (2), entretanto, comunicou que suspenderia temporariamente o projeto eleitoral para ajudar o governo a enfrentar a crise financeira.
O caso que alterou sua trajetória política foi o fechamento do Ueno Bank, instituição digital com aproximadamente 2,9 milhões de clientes. A paralisação das atividades deixou milhares de pessoas sem acesso ao dinheiro depositado e provocou manifestações contra o governo. Peña, que havia sido acionista do grupo controlador do banco, passou a enfrentar acusações da oposição relacionadas à fiscalização da instituição.
Na quarta-feira (4), 35 deputados oposicionistas apresentaram pedidos de impeachment contra Peña e Alliana. No caso do vice-presidente, os parlamentares apontaram suposta proteção política ao banco, apoio à aplicação de recursos previdenciários na instituição e omissão diante de alertas sobre operações de crédito. As acusações não equivalem a uma condenação judicial.
A crise se agravou quando integrantes da base governista anunciaram que apoiariam a destituição de Peña. O presidente renunciou nesta quinta-feira (5), enquanto o Congresso discutia seu afastamento. A saída abriu caminho para a sucessão presidencial prevista na Constituição paraguaia.
Alliana, porém, também precisava enfrentar a tentativa de impeachment apresentada contra ele. Horas depois da renúncia de Peña, a Câmara dos Deputados rejeitou a abertura do processo por 48 votos a 30. A decisão permitiu que o vice permanecesse na linha de sucessão.
A Constituição do Paraguai determina que o vice-presidente assuma o Executivo em caso de renúncia do titular, sem a realização de novas eleições. Dessa forma, Alliana poderá exercer a Presidência até agosto de 2028, quando termina o mandato da chapa eleita em 2023.