
O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou em Miami que esconderá os detalhes de sua saída do Brasil após a derrota eleitoral para o presidente Lula (PT). “Como cheguei aqui, vou levar isso para o túmulo”, declarou em entrevista ao New York Times.
Autoridades dos Estados Unidos disseram que um integrante da Casa Branca providenciou o jato que levou Flávio a Miami e que o presidente Donald Trump autorizou diretamente sua entrada no país. O senador negou participação de governos na viagem. O próprio jornal americano revelou que Santiago Caputo, assessor de Javier Milei, ajudou o brasileiro na fuga.
“Foi tudo por mim. Não houve ajuda de ninguém, de nenhum governo”, alegou. Ele ainda disse que decidiu deixar o país na manhã seguinte à eleição, depois de autoridades determinarem a entrega de seus passaportes em 24 horas.
O senador é alvo de investigações sobre lavagem de dinheiro e corrupção, mas ainda não recebeu denúncia. Seu mandato no Senado termina no início de 2027, quando perderá a imunidade parlamentar.
Flávio alegou que seria condenado caso permanecesse no Brasil e voltou a atacar o Judiciário. “Já sei que o resultado final será a minha prisão”, afirmou, ao dizer que considera politicamente motivadas as ações contra sua família.

Derrota de Flávio Bolsonaro e alegações sem provas
Mesmo com seu partido aceitando o resultado, Flávio Bolsonaro insistiu, sem apresentar provas, que a vitória de Lula foi “matematicamente impossível”. A Justiça Eleitoral rejeitou as alegações de fraude, e observadores independentes certificaram a integridade da votação.
Uma de suas queixas envolve a extensão do horário de votação por chuvas intensas e atrasos de ônibus em algumas regiões. Os dois candidatos pediram a medida, que alcançou 34 mil votos, número muito inferior à vantagem de 4,4 milhões de votos obtida por Lula.
Dos Estados Unidos, Flávio afirmou que pretende contestar judicialmente a eleição, embora tenha reconhecido que a iniciativa tem pouca chance de prosperar. Ele também disse que apoiará aliados no Brasil em propostas para reduzir a maioridade penal e conceder anistia a Jair Bolsonaro e aos golpistas do ato terrorista de 8 de Janeiro.
Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos por tentativa de golpe de Estado, enquanto Eduardo Bolsonaro também vive nos Estados Unidos após condenação no Brasil. Flávio, a mulher e as duas filhas receberam autorização para permanecer no país por ao menos um ano; ele disse que pode disputar uma nova eleição caso ela ocorra.