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Presidente do Supremo da Bolívia foge após ordem de prisão por tráfico

Romer Saucedo, presidente do Tribunal Supremo de Justiça da Bolívia
Romer Saucedo, presidente do Tribunal Supremo de Justiça da Bolívia. Foto: Reprodução

O presidente do Tribunal Supremo de Justiça da Bolívia, Romer Saucedo, deixou o país nesta quinta-feira (5) após o Ministério Público emitir um mandado de prisão contra ele por tráfico de substâncias controladas e associação criminosa. O órgão informou que pedirá à Interpol um alerta vermelho para localizá-lo internacionalmente.

Saucedo, de 38 anos, afirmou na rede social X que está no exílio com a família e acusou o governo do presidente Rodrigo Paz, de centro-direita, de perseguição. “Deixei o país, estou com toda a minha família no exílio”, escreveu o magistrado.

O juiz também denunciou “tentativas de perseguição e intimidação” e declarou: “Sei que vão forjar provas para me desacreditar”. O procurador-geral interino, José Armando Urioste, disse que a ordem de prisão saiu na quarta-feira (4).

Urioste não detalhou qual seria a participação de Saucedo nos crimes investigados. Ele afirmou que o caso corre sob sigilo e conta com a colaboração de testemunhas protegidas, enquanto as investigações prosseguem.

As autoridades bolivianas dizem não saber onde Saucedo está. O histórico migratório aponta que ele entrou na Bolívia na terça-feira (3), mas não registra uma saída posterior, o que leva o Ministério Público a suspeitar de uma travessia terrestre pela fronteira.

O procurador interino afirmou que solicitará o alerta vermelho à Interpol para impedir novos deslocamentos do magistrado. “Temos de acionar esses alertas internacionais para evitar que ele saia ou entre na Bolívia”, declarou.

A saída de Saucedo ocorre em meio a uma série de detenções de integrantes do sistema judicial boliviano desde outubro, sob suspeita de vínculos com o tráfico de drogas. Entre os presos está o ex-procurador-geral Roger Mariaca, detido após os Estados Unidos cancelarem seu visto.

Na quarta-feira (4), os magistrados do Tribunal Supremo nomearam a decana Rosmery Ruiz como presidente interina, diante da ausência de Saucedo. Se ele não comparecer ao tribunal nos próximos seis dias, poderá perder o cargo.