
O escritor e cronista baiano Franciel Cruz criticou o humorista Gregório Duvivier por sua análise sobre a relação eleitoral entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os governos petistas da Bahia.
Em postagens no X na quinta-feira (5), Cruz classificou como “burra e desinformada” a avaliação apresentada por Duvivier no programa “Calma Urgente”, segundo a qual a popularidade de Lula seria responsável por impulsionar os candidatos do PT no estado, e não o contrário.
“Com a autoridade de quem num votou em Rui Costa, que sempre o criticou, até mesmo fazendo música contra e metendo cartaz em pleno carnaval, digo: esta análise de Gregório é burra e desinformada”, escreveu Franciel. “A boa relação eleitoral de Lula com os governos petistas da Bahia é mais complexa”.
Gregório questionou o argumento de que o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), teriam contribuído decisivamente para a votação de Lula no estado. Para o humorista, os resultados eleitorais indicariam uma relação inversa: a força do presidente ajudaria a eleger os candidatos petistas ao governo baiano.
“A votação na Bahia, do Lula, de 71%, é muito maior do que a do Jerônimo, que é de 55%. Ou seja, como é que o Jerônimo estaria dando voto para o Lula que tem muito mais voto que ele? Provavelmente é o contrário”, afirmou Gregório durante o programa.
Duvivier também classificou como arrogante a ideia de que dirigentes petistas baianos seriam responsáveis pelo desempenho eleitoral de Lula. Segundo ele, a comparação entre os percentuais obtidos pelo presidente e pelo governador enfraqueceria essa interpretação.
O histórico eleitoral de Lula na Bahia
Franciel Cruz recuperou resultados de eleições presidenciais e estaduais na Bahia. O escritor lembrou que Lula nem sempre teve votações expressivas no estado e que seu desempenho cresceu ao longo de diferentes governos.
“Comecemos pelo início. Lula perdeu pra collor e pra fhc aqui”, escreveu, em referência às derrotas do petista para Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso.
FLula só venceu na Bahia em 2002, quando conquistou pela primeira vez a Presidência da República. Naquela eleição, segundo os números citados pelo cronista, recebeu 55,28% dos votos, seu menor percentual no estado nos últimos 25 anos.
“E mais. Nunca Lula passou dos 70% no 1º turno. O tal do rui já teve 75,50%”, afirmou.
Relação de influência mútua
Na avaliação de Franciel, a relação eleitoral entre Lula e os governos estaduais do PT funciona por meio de uma influência recíproca, na qual a popularidade do presidente e a força das administrações locais se beneficiam mutuamente.
“Mesmo Lula sendo a maior liderança popular, esta relação eleitoral funciona numa espécie de retroalimentação”, escreveu. “Se fosse apenas pela força de Lula, ele deveria crescer no Ceará, por exemplo, que é governado também pelo PT. E lá decresceu”.
Para Franciel, a comparação entre estados governados pelo mesmo partido indica que os resultados eleitorais não podem ser explicados apenas pela popularidade nacional do presidente.
Pedro Menezes também contestou a análise de Gregório, afirmando que o humorista teria tratado o eleitorado baiano de maneira superficial.
“Gregório Duvivier parou o programa achando que faria um comentário super inteligente, mas confessou que é um analista político primário. Fala de orelhada e vê o baiano como gado de Lula”, disse.
Com a autoridade de quem num votou em rui costa, que sempre o criticou, até mesmo fazendo música contra e metendo cartaz em pleno carnaval, digo: esta análise de gregório é burra & desinformada.
A boa relação eleitoral de Lula com os governos petistas da Bahia é mais complexa
+— Puraingresia (@fsmcruz) November 6, 2026