
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam que o senador Rogério Marinho (PL-RN) subestima a força de Davi Alcolumbre (União-AP) na disputa pela presidência do Senado. Para cinco magistrados ouvidos pela colunista Bela Megale no jornal O Globo, o bolsonarista inflou a conta de apoios que apresenta a colegas da Casa.
Marinho tem dito a parlamentares que dispõe de 44 votos para se eleger, enquanto Alcolumbre teria 33. A eleição exige ao menos 41 votos, e o senador do PL também trabalha com a expectativa de adesão da senadora Tereza Cristina (PP-MS).
Os ministros avaliam que a projeção não contempla apoios de Alcolumbre que não aparecem nos cálculos do adversário. O senador do União-AP presidiu o Senado em duas ocasiões e atuou na articulação política durante a gestão de Rodrigo Pacheco no comando da Casa.
Na leitura dos magistrados, Alcolumbre ainda dispõe de mais capacidade de negociação por ocupar a presidência do Senado. Eles citam as “moedas de troca” disponíveis para o senador ampliar sua base entre os parlamentares.

Preferência no STF envolve processos contra ministros
Parte dos integrantes do STF manifesta preferência pela vitória de Alcolumbre, sobretudo ministros próximos de Alexandre de Moraes. Alcolumbre mantém amizade com Moraes, segundo a coluna.
O presidente do Senado também já indicou que pedidos de impeachment contra ministros do Supremo não avançariam sob sua condução. O tema ganhou peso na avaliação de integrantes da Corte sobre a eleição.
Marinho, por sua vez, sinaliza que pode dar andamento a pedidos de afastamento de magistrados do STF. Alexandre de Moraes figura entre os alvos mencionados nessa posição do senador do PL.
A disputa pela presidência do Senado contrapõe, assim, a contagem de votos divulgada por Marinho à avaliação de ministros de que Alcolumbre reúne apoios menos visíveis e maior margem para negociar a eleição.