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Flávio diz que “grandes coisas estão por vir” em evento da extrema-direita nos EUA

Flávio Bolsonaro no CPAC. Foto: reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato derrotado à Presidência da República e acusado de golpismo por seus adversários, afirmou que “grandes coisas estão por vir” para o Brasil e os Estados Unidos. A declaração ocorreu na noite desta quinta-feira (5), durante a Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), realizada em Mar-a-Lago, resort do presidente estadunidense Donald Trump, em Palm Beach, na Flórida. O parlamentar discursou após deixar o Brasil, apesar de uma determinação judicial que o impedia de sair do país.

Durante o pronunciamento, Flávio fez referências religiosas ao comentar sua derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de outubro. Também mencionou o resultado das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, realizadas nesta terça-feira (3), nas quais o Partido Republicano sofreu derrotas. “A minha palavra para o Brasil e também aqui, para a América, é que Deus está sempre no controle de tudo. A porta que Ele abre ninguém fecha e a porta que Ele fecha ninguém abre”, afirmou.

O senador disse que não esperava disputar a Presidência brasileira e atribuiu sua candidatura a um propósito religioso. “Um ano atrás, eu jamais imaginava que seria candidato à presidência do Brasil. Mas eu creio que era o projeto de Deus não só para mim, mas para a minha nação”, declarou. Em seguida, pediu que seus apoiadores mantivessem a confiança mesmo diante dos resultados eleitorais. “Mesmo quando o que parece ser o final não é aquilo que nós esperávamos, nós temos que agradecer a Deus e ter ainda mais fé de que ainda não foi o fim”, acrescentou.

Flávio também reiterou sua intenção de continuar à frente da oposição ao governo Lula. “Cada um de nós temos que continuar fazendo nossa parte, nos aproximando ainda mais de Deus, que grandes coisas estão por vir. Eu sei que não foi o fim para o Brasil e eu sei que não foi o fim para a América”, disse. O parlamentar não apresentou medidas concretas nem explicou a quais acontecimentos se referia.

Em outra passagem, o senador voltou a mencionar a possibilidade de mudanças no cenário político. “O que eu quero falar para os meus irmãos brasileiros é que ainda não chegou o fim, muita coisa pode acontecer. Porque a fé é exatamente ter a certeza de que aquilo que nós não estamos vendo existe, é real”, afirmou. Ele acrescentou que, quando os esforços individuais não são suficientes para alcançar determinado objetivo, seria necessário confiar na intervenção divina. “O impossível, só Deus pode fazer”, declarou.

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, publicou no X um vídeo em que Flávio aparece cumprimentando o ator estadunidense Jim Caviezel durante a CPAC. Caviezel interpreta o ex-presidente Jair Bolsonaro no filme “Dark Horse”. “Agora em Mar-a-Lago, Flávio Bolsonaro, em liberdade, se encontra com o ator Jim Caviezel”, escreveu Eduardo. O longa recebeu financiamento do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, conforme admitiu o próprio Flávio após uma reportagem do The Intercept. O senador alegou que a operação foi legal e não envolveu recursos públicos.

Flávio chegou à Flórida na quarta-feira (28), depois de uma viagem que passou pela Argentina e pelo Equador. A saída ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar, depois da eleição de 25 de outubro, que o senador não poderia deixar o território brasileiro. Flávio e seus familiares entraram nos Estados Unidos por meio de uma autorização humanitária conhecida como humanitarian parole, que permite a permanência temporária no país por até um ano.

Segundo relatos publicados pela imprensa estadunidense, o governo Trump avalia acelerar a concessão do green card, documento que autoriza residência permanente nos Estados Unidos, ao senador e seus familiares. Aliados do secretário de Estado Marco Rubio afirmaram que ele teria coordenado a chegada de Flávio ao país, mas o chefe da diplomacia estadunidense negou participação na operação.

Trump, que classificou a eleição presidencial brasileira como “fraudada”, “estranha” e “uma vergonha”, declarou que Flávio poderia permanecer nos Estados Unidos “quanto tempo quiser”. Apesar das declarações, o presidente estadunidense afirmou que não tomou partido na disputa eleitoral brasileira. Relatos da imprensa local também indicam que ele não pretende apoiar formalmente o senador em uma disputa pelo poder no Brasil.