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“O pobre não pagará a conta”, diz Lula sobre possível ajuste fiscal

Vice-presidente Geraldo Alckmin e o presidente Lula. Foto: Reprodução

O presidente Lula (PT) afirmou nesta sexta (6) que o Brasil tem “seriedade fiscal” e declarou que a população pobre não pagará a conta de um eventual ajuste nas contas públicas. A fala ocorreu durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

Lula comparou a dívida brasileira à de países como Estados Unidos, França, Japão e Itália. “Quantos países do mundo têm a seriedade fiscal que nós temos?”, questionou o presidente, ao defender que a dívida do Brasil representa uma proporção menor do Produto Interno Bruto (PIB) do que a dessas economias.

Na sequência, Lula pediu ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, que apresentasse à imprensa dados sobre a dívida pública e a situação fiscal encontrada pelo governo no início do terceiro mandato, em 2023. O presidente disse que as comparações precisam considerar as condições em que sua gestão assumiu o país.

O petista afirmou que recebeu o governo com déficit de 2,8% do PIB e disse que o orçamento passou a registrar superávit. “A única coisa que eles têm que saber é que o pobre não pagará a conta”, declarou, em referência às cobranças do mercado financeiro por medidas fiscais mais duras.

Lula reúne economistas antes de discutir medidas fiscais

O presidente também disse que não levará “o povo pobre a nenhum sacrifício” e associou responsabilidade fiscal à manutenção de políticas sociais. Ele citou o reajuste real do salário mínimo e afirmou que seus governos anteriores, entre 2003 e 2010, entregaram superávit em todos os anos.

Ao elogiar a equipe econômica, Lula afirmou que os auxiliares enfrentam disputas internas para acomodar recursos no Orçamento. “Ninguém nesse país pode falar mais de responsabilidade fiscal do que a minha equipe econômica”, disse.

Na quinta (5), Lula reuniu no Palácio da Alvorada ministros, ex-auxiliares e economistas para debater a conjuntura do país. Participaram, além de Durigan, o vice-presidente Geraldo Alckmin, os ex-ministros da Fazenda Fernando Haddad e Guido Mantega, e os economistas Laura Carvalho e Eduardo Moreira.

Durigan afirmou após o encontro que o grupo discutiu diagnósticos e caminhos para a economia, sem fechar medidas específicas. As propostas em estudo devem chegar a Lula após a viagem internacional que começa na próxima semana, com passagem pela COP31, na Turquia.

Lula gravou um pronunciamento para rede de rádio e televisão previsto para domingo (8). O discurso deve abordar a trajetória da dívida pública, a melhora esperada dos resultados primários e ações para favorecer a queda dos juros sem abandonar os compromissos sociais do governo.