
Uma denúncia exibida pela TV argentina acusou o governo do presidente Javier Milei de financiar a permanência de bolsonaristas foragidos na Argentina com repasses de 2 milhões de pesos por pessoa ao mês, valor equivalente a cerca de R$ 7,1 mil.
O repórter Enrique “Quique” Ortiz fez a acusação no programa Telenueve Denuncia, apresentado por Tomás Méndez, nesta sexta (6). Ortiz afirmou ter conversado com integrantes do grupo e disse que 336 brasileiros deixaram o país após os ataques golpistas de 8 de Janeiro de 2023.
Pela conta apresentada no programa, os supostos pagamentos chegariam a 672 milhões de pesos por mês, perto de R$ 2,4 milhões. Ortiz declarou que cerca de 110 brasileiros estariam em Puerto Iguazú, cidade argentina na fronteira com Foz do Iguaçu (PR).
Segundo o site argentino Alem News, bolsonaristas relataram a entrega mensal de dinheiro em espécie por intermediários nos locais de hospedagem. A Comissão Nacional para os Refugiados e o Ministério do Interior da Argentina não confirmaram os pagamentos.
💣BOMBA ATÓMICA: DESCUBREN A "336 BOLSONARISTAS PRÓFUGOS EN IGUAZÚ… LOS BANCA EL GOBIERNO DE MILEI" CON LA NUESTRA
"No están en cualquier lado, están en hoteles muy caros que salen muchísimo dinero, están en la suite de los mejores hace un año y medio"
"El monto que le da… pic.twitter.com/okkVu0TiEQ
— Revolución Popular (@RPN_Oficial) November 6, 2026
Grupo em Puerto Iguazú inclui Léo Índio
Entre os brasileiros que vivem em Puerto Iguazú está Leonardo Rodrigues de Jesus, o Léo Índio, de 43 anos, sobrinho por afinidade de Jair Bolsonaro e primo de Flávio Bolsonaro. Ele alegou ao Alem News que desconhece os supostos repasses atribuídos ao governo Milei.
Réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por associação criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e dano ao patrimônio público, Léo Índio teve a prisão preventiva decretada pelo ministro Alexandre de Moraes depois que sua defesa confirmou sua presença na Argentina.
Em entrevista à Crónica TV, Léo Índio disse que vive no norte argentino havia mais de um ano e meio e que pediu refúgio à Comissão Nacional para os Refugiados em uma carta escrita à mão.
Ele alegou que brasileiros do grupo sobrevivem de trabalhos informais, como segurança de festas, venda de marmitas e comércio de rua. Léo Índio também negou participação na depredação em Brasília: “Não existe imagem minha vandalizando ou destruindo nenhum órgão público”.