
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitiu não ter provas de fraude nas eleições de 2026, embora tenha voltado a lançar suspeitas sobre o resultado que deu a vitória ao presidente Lula (PT). Em entrevista à Folha, em Miami, ele afirmou que nem ele nem Lula poderiam dizer, com “100% de certeza”, quem venceu a disputa.
Flávio disse que o PL pretende pedir a cassação da chapa Lula-Alckmin por abuso de poder econômico. Ele citou medidas anunciadas ou adotadas pelo governo durante a campanha, como mudanças no Bolsa Família, o Pé-de-Meia Universitário e um Pix de R$ 5 mil destinado a microempreendedores individuais.
Ao ser questionado sobre evidências para sustentar a acusação de manipulação eleitoral, o senador respondeu: “Não tenho provas e nem terei, porque é proibido investigar esse assunto”. O TSE, presidido por Kassio Nunes Marques e com André Mendonça na vice-presidência, informou que a prorrogação da votação não afetou a totalização dos votos.
O senador questionou as duas horas extras de votação concedidas no segundo turno e alegou, sem apresentar elementos que comprovassem irregularidade, que o resultado teria sido manipulado. O próprio PL reconheceu o resultado das urnas, assim como outros partidos que apoiaram sua candidatura.

Flávio deixou o Brasil após a eleição e afirmou que não detalhará como organizou a viagem nem quem a financiou. Ele disse que vive de reservas financeiras, que sua principal renda vem da advocacia e que ainda decidirá com a família em qual estado americano pretende morar.
O senador declarou que saiu do país para “não legitimar processo ditatorial comandado” pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. Ele também atacou a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, sem apresentar provas para as acusações de aparelhamento.
Flávio afirmou que não pretende renunciar ao mandato no Senado e disse que participará virtualmente das sessões quando houver essa possibilidade. Segundo ele, a decisão de deixar o país ocorreu depois de ser intimado pela Polícia Federal e avisado de que não poderia deixar o Brasil.
Sobre a eleição presidencial de 2030, o senador afirmou que pretende se candidatar caso o partido concorde e as condições permitam seu retorno ao país. Ele disse que apoiará Jair Bolsonaro se o ex-presidente recuperar os direitos políticos, mas acrescentou que Tarcísio de Freitas tem o direito de disputar o Planalto.
Flávio também voltou a criticar a decisão de Jair Bolsonaro de retornar ao Brasil em 2023, após passar três meses na Flórida. “Eu aprendo com os erros e os acertos do presidente Bolsonaro, e não vou cometer o mesmo erro”, afirmou.
Ao comentar a presença do advogado Willer Tomaz em Miami, Flávio negou ter sido sócio dele e disse que o amigo sofreu perseguição. A Polícia Federal investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo os dois; ambos negam irregularidades.