
O Banco Central do Paraguai começou na tarde de quinta-feira (5) a devolver dinheiro a clientes do Ueno Bank, mas a primeira etapa limita o pagamento integral a quem tinha até R$ 8,9 mil depositados. O teto baixo preocupa correntistas com investimentos maiores, entre eles brasileiros que vivem no país ou trabalham nas regiões de fronteira. Com informações de g1.
José Maciel, diretor da Unidade Administradora do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD), confirmou à agência AFP o início dos adiantamentos. “O processo de pagamento dos adiantamentos da garantia aos correntistas do Ueno Bank começou na tarde desta quinta-feira”, afirmou.
O FGD paga, inicialmente, os clientes sem dívidas com o banco e com conta habilitada em outra instituição financeira paraguaia. Dentro dessas condições, quem mantinha até R$ 8,9 mil no Ueno receberá a totalidade do depósito.
O Banco Central ainda não divulgou o calendário para os demais grupos de clientes. A liberação dependerá do andamento do processo previsto em lei, enquanto correntistas com valores acima do limite aguardam informações sobre quanto e quando poderão resgatar.
Intervenção bloqueou acesso de cerca de 3 milhões de clientes
O Ueno Bank, maior banco digital e principal emissor de cartões de crédito do Paraguai, reúne cerca de 3 milhões de clientes. A intervenção do Banco Central interrompeu o acesso dos correntistas aos recursos e levou clientes a encontrarem agências fechadas durante protestos.
A crise ganhou força após ajustes nos balanços da instituição reduzirem o índice de solvência para menos da metade do mínimo exigido pelas regras do sistema financeiro. O Ministério Público pediu investigação criminal, e a Justiça prendeu oito pessoas ligadas ao banco; outras 19 também entraram na apuração por suspeitas de fraude e estelionato.
Carlos Carvallo deixou a presidência do Banco Central na terça-feira (3), pressionado por críticas à fiscalização do Ueno. Ele havia comandado o próprio banco até agosto de 2023. O presidente Santiago Peña, que foi sócio do Grupo Vázquez, controlador da instituição, até março de 2025, também enfrenta pressão política.
O Ueno administra cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo valores do Instituto de Previsão Social, responsável por aposentadorias e pensões. Peña articulou com lideranças do Congresso a aceleração de um projeto para usar o FGD no ressarcimento e afirmou que a medida deve proteger também os recursos mantidos pelo instituto e por outros fundos previdenciários.