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Após derrota vexaminosa, Trump entrega Casa Branca a radical anti-imigração

Stephen Miller e Donald Trump

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (6) a nomeação de Stephen Miller, um dos principais responsáveis por sua política de deportações em massa, para o cargo de chefe de gabinete da Casa Branca. A decisão ocorre três dias depois da derrota do Partido Republicano nas eleições legislativas, que deram aos democratas o controle da Câmara dos Representantes e do Senado. Miller substituirá Susie Wiles, primeira mulher a ocupar o posto, e assumirá a função na segunda-feira (9).

Aos 41 anos, Miller é um dos assessores mais próximos de Trump e um dos principais formuladores das medidas de endurecimento da política migratória estadunidense. Ele participa do círculo político do republicano desde a campanha presidencial de 2016 e ocupava o cargo de vice-chefe de gabinete para políticas públicas desde o início do segundo mandato, em janeiro de 2025.

Em uma publicação nas redes sociais, Trump chamou Miller de “um dos meus assessores de maior confiança” e elogiou o trabalho de Susie Wiles, de 69 anos. Ao deixar a Casa Branca para uma viagem à Flórida, o presidente explicou a substituição: “Eu queria fazer uma mudança. Acho que Susie fez um trabalho muito bom. Stephen tem sido ótimo, e precisamos fazer mudanças”.

Trump também destacou a longa relação com o novo chefe de gabinete. “Stephen está comigo desde o começo. Ele entende. É muito bom politicamente e é um homem muito bom. Fará um ótimo trabalho. É um grande administrador”, afirmou.

Quem é Stephen Miller, o arquiteto das deportações de Trump

Stephen Miller construiu sua carreira política defendendo restrições à imigração e medidas de segurança nas fronteiras. Antes de integrar a campanha presidencial de Trump, trabalhou como assessor do então senador republicano Jeff Sessions, que posteriormente se tornaria procurador-geral dos Estados Unidos.

Durante o primeiro mandato de Trump, Miller participou da elaboração de políticas como a separação de famílias de imigrantes na fronteira e as restrições de entrada de cidadãos de países de maioria muçulmana.

Sua atuação provocou críticas de organizações de direitos humanos e parlamentares democratas. Mais de cem congressistas chegaram a assinar uma carta pedindo sua saída do governo, na qual o classificaram como um nacionalista branco.

O jornalista e biógrafo Jean Guerrero publicou, em 2020, o livro “Hatemonger”, dedicado à trajetória política de Miller e à sua influência sobre a agenda migratória republicana.

No segundo governo Trump, Miller ampliou sua participação na formulação das políticas de deportação, fiscalização migratória e restrição à cidadania por nascimento.

Em entrevista à Fox News na segunda-feira (2), véspera das eleições legislativas, Miller pediu votos para os republicanos e apresentou Trump como responsável por proteger os Estados Unidos de adversários internos e externos.

“O presidente Trump levou um tiro por vocês, sangrou por vocês, enfrentou a possibilidade de passar a vida na prisão por vocês. E o que ele precisa de vocês amanhã é o seu voto”, declarou.

Democratas reagem à nomeação

A escolha de Miller provocou críticas imediatas da oposição democrata, que assumirá o controle das duas casas do Congresso após a vitória eleitoral.

Hakeem Jeffries, cotado para se tornar o primeiro presidente negro da Câmara dos Representantes, classificou o novo chefe de gabinete como um extremista e xenófobo.

“Stephen Miller é um xenófobo perigoso e um extremista irresponsável que tem sangue americano nas mãos. Sua presença no governo deveria ser erradicada como um tumor maligno. Demitam-no hoje”, escreveu Jeffries.

Chuck Schumer, que deverá assumir a liderança da maioria democrata no Senado, afirmou que Trump não tirou lições da derrota eleitoral.

“Donald Trump não aprendeu nada com sua derrota histórica. Stephen Miller é o arquiteto das políticas mais bárbaras e desumanas desta administração. Trump não poderia ter feito uma escolha pior. Nossas maiorias democratas vão enfrentá-lo a cada passo”, declarou.

A deputada democrata Becca Balint, de Vermont, também criticou a promoção. Segundo ela, os eleitores rejeitaram nas urnas as políticas migratórias do governo, mas Trump decidiu colocar um de seus principais formuladores no comando da Casa Branca.

O estrategista democrata David Axelrod avaliou que a nomeação reduz as expectativas de uma aproximação entre o presidente e a nova maioria parlamentar.

“Para aqueles que esperavam que o presidente mudasse de direção para trabalhar com o novo Congresso, a nomeação de Miller é um balde de água gelada”, escreveu.

Nomeação ocorre após derrota histórica dos republicanos

A mudança no comando da Casa Branca é a primeira grande alteração na equipe presidencial desde as eleições de meio de mandato.

Os democratas conquistaram o controle da Câmara e do Senado, ampliando sua capacidade de fiscalizar o governo e abrir investigações parlamentares durante os dois últimos anos do mandato de Trump.

A nomeação de Miller ocorre justamente quando o presidente se prepara para enfrentar uma oposição com maior poder institucional.

Chris Whipple, autor do livro “The Gatekeepers: How the White House Chiefs of Staff Define Every Presidency”, afirmou à CNN que a escolha representa uma declaração de confronto político.

“É quase uma declaração de guerra por parte de Trump”, disse Whipple. Segundo ele, Miller conhece apenas uma maneira de atuar: avançar com intensidade máxima, sem recuar.

O ex-diretor de Comunicação da Casa Branca Anthony Scaramucci, que trabalhou brevemente no primeiro governo Trump, também ironizou a decisão.

“Trump viu os resultados das eleições de meio de mandato e decidiu que promover Stephen Miller é a resposta”, escreveu nas redes sociais.

Tio de Miller lembra que família fugiu de perseguição na Europa

A trajetória familiar de Stephen Miller voltou a ser mencionada diante de sua promoção.

David Glosser, tio do novo chefe de gabinete, criticou a atuação do sobrinho na política migratória e o classificou como um hipócrita em relação à imigração.

Em entrevista à CNN, Glosser lembrou que a família conseguiu chegar aos Estados Unidos depois de fugir de uma situação de perseguição na Belarus.

“Nossa história familiar depende inteiramente da nossa capacidade de escapar de uma situação terrível em Belarus. Se não tivéssemos conseguido entrar nos Estados Unidos quando entramos, Stephen Miller não existiria. Todos os outros que não conseguiram chegar aos Estados Unidos acabaram morrendo no Holocausto”, afirmou.

Susie Wiles deixa comando da Casa Branca

Susie Wiles apresentou sua renúncia na quinta-feira (5), segundo a reportagem. Ela havia comandado a campanha presidencial vitoriosa de Trump em 2024 e se tornou a primeira mulher a ocupar o cargo de chefe de gabinete da Casa Branca.

Conhecida por sua atuação nos bastidores, Wiles era considerada uma das responsáveis pela organização da equipe presidencial e pelo controle de vazamentos de informações internas.

Em sua despedida, afirmou que trabalhar para Trump havia sido “a honra de uma vida inteira” e destacou as políticas de segurança nas fronteiras, redução de impostos e fortalecimento da economia como realizações do governo.

Wiles também declarou que continuará comprometida com o presidente e sua agenda política. Segundo o anúncio da Casa Branca, ela passará a atuar na organização política de Trump.

A chegada de Miller ao comando do gabinete presidencial ocorre em um momento de confronto entre a Casa Branca e o Congresso. Com a oposição democrata fortalecida, o novo chefe de gabinete terá a responsabilidade de coordenar a equipe de Trump e conduzir a execução de suas prioridades políticas até o fim do mandato.

A nomeação também coloca um dos principais defensores das políticas de deportação em massa na posição administrativa mais importante da Casa Branca, depois do próprio presidente.

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