
Por Leonardo Sakamoto no UOL
O presidente do STF Edson Fachin autorizou a delação premiada de João Carlos Mansur, ex-dono e fundador da liquidada Reag Investimentos, informa Natália Portinari, no UOL. Ele relatou que a Reag prestava serviços para o Master e Daniel Vorcaro desde 2019. Mansur, que durante anos presidiu uma estrutura que atingiu impressionantes R$ 340 bilhões de patrimônio sob gestão, sabe onde os esqueletos foram enterrados.
Essa delação, para não vir pela metade, precisa responder quem, no centro financeiro do Brasil, encheu os bolsos ajudando a lavar a grana de postos de gasolina controlados pelo Primeiro Comando da Capital. E, claro, inflando ativos podres com perfume de legalidade.
Punir quem montou e operou a engrenagem do Banco Master e seus fundos parceiros é medida civilizatória e inegociável. Venho repetindo feito um suricato com cãibra, contudo, que exigir cadeia para agentes públicos, políticos e magistrados corruptos, e tratar agentes do mercado financeiro como meros espectadores ingênuos diante da devassidão, é dançar nu com a seletividade.
Retomando algo que já disse aqui; As investigações mostraram que fundos administrados pela Reag movimentavam cifras bilionárias ligadas a esquemas de combustíveis adulterados e fraudes tributárias a serviço do PCC.

Paralelamente, como revelaram a Polícia Federal e o Banco Central, a mesma estrutura de fundos servia para uma ciranda mágica com o Master: empresas sem operação real tomavam empréstimos, compravam cotas em fundos da Reag e, em minutos, ativos podres (como créditos imprestáveis de estatais extintas ou terrenos sem valor) eram registrados por quantias astronômicas para maquiar balanços e irrigar o mercado.
Foi com esse malabarismo descarado que o banco empurrou montanhas de CDBs com rentabilidades agressivas para investidores do varejo, sustentados pela muleta do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), deixando um rombo de dezenas de bilhões de reais para o sistema pagar. Enquanto a conta estoura nos fundos de previdência de servidores municipais e estaduais (que viram a economia de uma vida de trabalho virar fumaça), a elite financeira tenta emplacar a tese de “falha pontual de compliance”.
Plataformas de distribuição, grandes corretoras, auditores independentes e comitês de ética possuem equipes sofisticadas, economistas laureados e algoritmos capazes de escanear o histórico de qualquer cidadão comum. Mas quando o dinheiro do crime organizado e da especulação predatória entra em campo de terno e gravata, há setores do mercado financeiro que fingem não sentir o cheiro do combustível batizado ou o ver a fragilidade do papel sem lastro.
Desta vez, se a Justiça quiser demonstrar que a lei vale para além da periferia, a fatura dos esquemas no mercado precisa ser cobrada de todos que sentaram à mesa do banquete. Além de dobrar explicações de políticos que estão citados na delação, Jaques Wagner (PT-BA) e ACM Neto (União-BA), segundo o UOL, é necessário exigir detalhes de quem ganhou cascalho grosso mantendo aberta a lavanderia do PCC.