
A queda do ex-presidente do Paraguai Santiago Peña, destituído pelo Senado nesta sexta-feira (6), ocorre em meio a uma disputa entre poderosos grupos econômicos que controlam bancos, veículos de comunicação e mantêm influência sobre partidos políticos no país. A jornalista argentina Guadalupe Vázquez, uma das profissionais de destaque da emissora TN, analisou as relações entre quatro famílias empresariais e a crise política que culminou na saída do presidente.
Segundo Vázquez, a candidatura de Peña, em 2023, recebeu o apoio do Grupo Cartes, pertencente ao ex-presidente Horacio Cartes, atual dirigente do Partido Colorado e padrinho político do ex-mandatário. O conglomerado possui investimentos na indústria do tabaco, no jornal La Nación e no Banco Basa, além de outros setores estratégicos da economia paraguaia.
Na eleição presidencial daquele ano, o principal adversário de Peña foi Efraín Alegre, candidato da Concertación Nacional. Sua campanha contou, segundo a jornalista, com o apoio do Grupo Zucolillo, proprietário do Banco Atlas e do grupo de comunicação responsável pelo jornal ABC Color, um dos principais veículos de imprensa do Paraguai.
A disputa entre os conglomerados ganhou novos contornos durante o governo Peña. De acordo com os dados apresentados por Vázquez, os depósitos do Instituto de Previdência Social (IPS), responsável pelos recursos previdenciários, permaneceram relativamente estáveis no Banco Basa, ligado aos Cartes, e no Banco Atlas, pertencente aos Zucolillo. Entretanto, os valores direcionados ao Banco Ueno registraram crescimento expressivo.
#Paraguay #Corrupcion #Ueno Analizar la caída del presidente Santiago Peña sin tener en cuenta la guerra de grupos económicos detrás del poder político es no entender cómo funciona Paraguay, un país dominado por 4 familias que son “dueñas” no sólo de prácticamente todo el país, sino también de los bancos, los medios de comunicación, y lo peor de todo, hasta de los mismos DIRIGENTES POLÍTICOS.
La candidatura de Peña en 2023 fue impulsada por el Grupo Cartés, perteneciente al ex presidente y titular del Partido Colorado, Horacio Cartés (padrino politico de Peña) y dueño del tabaco paraguayo, pero también, entre otras inversiones estratégicas, del diario La Nación y del banco Basa.
El principal adversario político de Peña en esa elección fue Efraín Alegre, por la Concertación Nacional, apoyado por el Grupo Zucolillo, también dueños de uno de los principales bancos, el Banco Atlas, y del principal multimedios, ABC.
Desde que asumió en 2023, Peña mantuvo estables los depósitos del IPS (jubilaciones) en los bancos de los Cartés (Banco Basa) y de los Zucolillo (Banco Atlas) pero aumentó exponencialmente los del Banco UENO, en nada más y nada menos que 4600%, convirtiéndolo en el banco privado con mayor porcentaje de fondos públicos del país, a pesar de su cortísima existencia (3 años). En ese tiempo, los fondos del IPS depositados en UENO pasaron de $G 80.000 M a $G 1,6 BILLONES. Según Peña, esa preferencia se dio solo por las tasas de interés más convenientes, pero el hecho de que él mismo fuera accionista de la entidad hasta 2025 no lo estaría ayudando en su argumentación (?).
Tamaño crecimiento fue posible, además, por la vista gorda del presidente del Banco Central de Paraguay, que había sido a su vez -oh casualidad- presidente de la financiera UENO que precedió al banco.
Y para terminar esta novela en donde no hay buenos y malos, sino todos presuntos corruptos, la investigación que destapó las serias irregularidades de la entidad bancaria fue hecha por el diario ABC…Sí, los dueños del banco Atlas, los financistas de la campaña de la oposición.
¿Casualidad?— Guadalupe Vázquez Oficial🌱 (@guadavazquez) November 6, 2026
A jornalista afirma que os depósitos do IPS no Ueno aumentaram 4.600% durante a administração Peña. Os recursos teriam passado de aproximadamente 80 bilhões para 1,6 trilhão de guaranis, tornando a instituição, com apenas três anos de existência, o banco privado com a maior participação percentual nos fundos públicos do país.
Peña justificou a concentração dos depósitos pelas taxas de juros mais vantajosas oferecidas pela instituição financeira. Entretanto, Vázquez destacou que o próprio presidente havia sido acionista do Banco Ueno até 2025, circunstância que levantou questionamentos sobre possíveis conflitos de interesses na administração dos recursos previdenciários.
Outro ponto mencionado pela jornalista envolve o Banco Central do Paraguai. Segundo sua análise, o crescimento do Ueno ocorreu durante a gestão de um presidente da autoridade monetária que anteriormente havia comandado a financeira Ueno, instituição que antecedeu a criação do banco. Vázquez questionou a atuação do órgão regulador diante da expansão dos depósitos públicos.
A investigação jornalística que revelou as supostas irregularidades do Banco Ueno foi conduzida pelo ABC Color, pertencente ao Grupo Zucolillo, também controlador do Banco Atlas e apontado pela jornalista como apoiador financeiro da oposição a Peña nas eleições de 2023.
Para Guadalupe Vázquez, a crise não pode ser compreendida apenas como um escândalo bancário ou uma disputa entre governo e oposição. Sua análise relaciona a destituição de Peña à rivalidade entre conglomerados empresariais que possuem interesses simultâneos no sistema financeiro, na imprensa e na política paraguaia. As suspeitas mencionadas pela jornalista, contudo, não constituem, por si só, comprovação de corrupção por parte de todos os envolvidos.