
O cubano Alejandro Triana Prevez, acusado de executar o assassinato do galerista estadunidense Brent Sikkema no Rio de Janeiro, irá a júri popular em 25 de fevereiro de 2027. A defesa diz que ele firmou um acordo informal com o FBI para colaborar com investigadores dos Estados Unidos e não ser extraditado.
Brent Sikkema, de 75 anos, morreu após ser atacado dentro de seu sobrado no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio, em janeiro de 2024. O ex-marido dele, Daniel Sikkema, de 56 anos, recebeu prisão perpétua nos Estados Unidos por encomendar o crime, mas os dois ainda respondem pelo homicídio na Justiça fluminense.
O advogado Fabio Manoel, que defende Prevez, disse que agentes do FBI ouviram seu cliente no Brasil. “O acordo seria ele colaborar com os agentes e com os procuradores estadunidenses com a promessa de que não seria extraditado”, afirmou. O defensor declarou não conhecer pedido de extradição ou processo contra Prevez nos Estados Unidos.
Nos Estados Unidos, um júri federal de Manhattan considerou Daniel Sikkema culpado em maio de 2026 por assassinato por encomenda e duas acusações de conspiração. Em novembro, o juiz Edgardo Ramos fixou a pena de prisão perpétua. A acusação sustentou que ele contratou Prevez durante uma disputa ligada ao divórcio de Brent.

Processo no Rio chegou à fase de julgamento
O Ministério Público do Rio denunciou Daniel Sikkema e Alejandro Prevez em fevereiro de 2024. A juíza Tula Corrêa de Mello decidiu, em maio de 2026, que havia elementos para levar os dois ao Tribunal do Júri. Os processos foram separados em julho daquele ano, e a sessão de Prevez ficou marcada para as 13h de 25 de fevereiro de 2027, no III Tribunal do Júri.
Documentos apresentados pela acusação estadunidense apontaram 11 transferências bancárias, além de ligações e mensagens entre Daniel e Prevez. Promotores disseram que cerca de US$ 9 mil foram pagos ao cubano antes e depois da morte. A defesa de Daniel alegou que os valores quitavam serviços prestados por Prevez ao casal em Cuba.
A acusação nos Estados Unidos afirmou que Prevez entrou na casa de Brent na madrugada do crime, pegou uma faca na cozinha e atacou o galerista enquanto ele dormia. Documentos judiciais registram 18 golpes de faca. A condenação americana, porém, não define o resultado do júri brasileiro, que seguirá as regras processuais do país.
Daniel Sikkema está preso no Centro de Detenção Metropolitano, no Brooklyn, em Nova York, e pediu transferência para uma unidade de segurança média próxima à cidade. Prevez permanece custodiado no Presídio Joaquim Ferreira de Souza, em Bangu, na Zona Oeste do Rio; se for condenado no Brasil, a pena deverá ser cumprida no sistema penitenciário nacional, salvo eventual acordo de cooperação internacional.