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Flávio Bolsonaro admite que não saber o que fazer nos EUA

Flávio Bolsonaro
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Foto: Roberto Casimiro/Fotoarena

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado por Lula na eleição presidencial, afirmou que Donald Trump está convencido de que o Brasil deixou de ser uma democracia plena. Em entrevista ao Washington Post, publicada neste sábado (7), o político também admitiu que não sabe como poderá voltar ao país após fugir para os Estados Unidos e ser alvo de medidas judiciais. A avaliação atribuída a Trump é uma afirmação de Flávio Bolsonaro, não uma declaração feita pelo presidente americano na entrevista.

A entrevista foi feita 11 dias depois do segundo turno e oito dias após sua chegada aos EUA, ele disse que precisava primeiro regularizar sua situação migratória e então decidir o que faria. “Ainda é muito cedo para tomar qualquer decisão definitiva”, disse.

Relatou ter sofrido um choque físico e emocional com a derrota e reconheceu que ainda não havia tomado decisões definitivas sobre o futuro.

A fuga ocorreu depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a entrega dos passaportes do senador em uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro. Flávio Bolsonaro contou ter conversado com Jair Bolsonaro, seu pai, pouco antes de descobrir a ordem.

Na versão apresentada ao jornal, os dois temeram uma prisão. Em seguida, Flávio Bolsonaro desapareceu por cerca de 36 horas e reapareceu em Miami, em 28 de outubro, após deixar o Brasil apesar da restrição judicial. A saída do país e sua repercussão internacional já haviam chamado atenção na imprensa estrangeira.

Flávio Bolsonaro recusou-se a revelar o trajeto utilizado ou esclarecer se recebeu ajuda de agentes americanos. A reportagem cita uma fonte de segurança brasileira, mantida sob anonimato, segundo a qual a polícia apura a possível participação de agentes estrangeiros na operação. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, negou participação direta do governo americano na saída do senador.

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O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Foto: Jean Carniel/Reuters

Mesmo sem apresentar provas de fraude, Flávio Bolsonaro voltou a questionar a vitória de Lula. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, indicado ao STF por Jair Bolsonaro, afirmou que a eleição foi legítima. Flávio Bolsonaro respondeu que nem o dirigente do TSE poderia garantir com certeza absoluta a ausência de fraude. A Justiça Eleitoral não identificou irregularidades capazes de comprometer o resultado, e observadores internacionais também não apontaram fraude na disputa.

Para justificar a permanência nos EUA, Flávio Bolsonaro contrapôs os dois países: disse que as instituições americanas ainda funcionam e as brasileiras não. Afirmou ainda que Trump compartilharia dessa leitura.

O presidente americano já chamou a eleição brasileira de fraudulenta, sem apresentar comprovação, mas a reportagem não atribui a ele uma declaração direta sobre o suposto fim da democracia no Brasil. O senador trata como perseguição política procedimentos judiciais que, formalmente, apuram suspeitas criminais ainda não julgadas.

A decisão de fugir também produziu críticas no próprio entorno de Flávio Bolsonaro. Dois interlocutores ouvidos reservadamente pelo jornal avaliaram que a saída foi precipitada e prejudicou suas condições políticas de contestar a derrota. Um assessor a descreveu como a pior decisão possível nesse cenário. Já Eduardo Bolsonaro apresentou nas redes a viagem do irmão como uma operação planejada para confundir quem tentava descobrir seu paradeiro. As avaliações dos aliados são relatos anônimos e não posições oficiais do partido.

Ao fim da entrevista, Flávio Bolsonaro planejava discursar em um evento conservador em Mar-a-Lago, clube de Trump na Flórida, prometendo manter a mobilização de seus apoiadores. A situação, porém, seguia indefinida: ele estava fora do Brasil, sob investigação, sem data anunciada para retorno e sem provas que sustentassem a acusação de fraude eleitoral. Sua permanência nos Estados Unidos não encerra os procedimentos em andamento na Justiça brasileira.