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Os 11 bolsonaristas do sertanejo que somaram R$ 38 milhões em contratos no Nordeste

Flávio Bolsonaro
Gusttavo Lima, Leonardo, Flávio Bolsonaro e outros sertanejos durante encontro de campanha em Nerópolis, Goiás. Foto: Vittor Sales/Divulgação

Prefeituras nordestinas contrataram cerca de R$ 38,3 milhões em shows de 11 atrações sertanejas cujos integrantes manifestaram apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. O valor foi identificado em levantamento do Metrópoles, publicado neste sábado (7), a partir de registros do Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP). O recorte reúne apresentações em 2026 e artistas que participaram de um encontro de apoio ao candidato, realizado em 20 de outubro, em Goiás.

Gusttavo Lima lidera o levantamento, com R$ 11,6 milhões em contratações. Em seguida aparecem Amado Batista, com R$ 7,376 milhões; Bruno & Marrone, com R$ 6,61 milhões; e Murilo Huff, com R$ 5,855 milhões. Juntos, os quatro concentram mais de R$ 31 milhões do total encontrado. Amado Batista aparece com 14 apresentações, o maior número entre os nomes relacionados na pesquisa.

A lista inclui Zezé Di Camargo, com R$ 1,92 milhão; Jorge & Mateus, com R$ 1,5 milhão; Hugo & Guilherme, com R$ 1,307 milhão; Ícaro & Gilmar, com R$ 1,05 milhão; e Israel & Rodolffo, com R$ 550 mil. Completam o levantamento Fred & Fabrício, com R$ 316 mil, e Bruno & Denner, com R$ 220 mil.

São Luís, no Maranhão, aparece em exemplos de cachês elevados. A capital contratou uma apresentação de Jorge & Mateus por R$ 1,5 milhão, para o Carnaval de 2026, e pagou R$ 630 mil por um show de Gusttavo Lima nas festas juninas.

Gusttavo Lima
O cantor Gusttavo Lima. Foto: Rogerio Pallatta/SBT

Em um caso diferente, relativo a uma apresentação realizada em 2025, a Justiça do Maranhão anulou um contrato de R$ 1,2 milhão de Gusttavo Lima e determinou que a empresa responsável devolvesse R$ 300 mil por sobrepreço apontado em sentença de primeira instância, da qual cabe recurso. Esse contrato de 2025 não integra automaticamente o total relativo a 2026.

A orientação partidária das prefeituras não pode ser presumida a partir da preferência eleitoral dos artistas. São Luís é administrada desde abril por Esmênia Miranda (PSD), que sucedeu Eduardo Braide, também do PSD. Já Fortaleza, governada por Evandro Leitão (PT), e Recife, sob Victor Marques (PCdoB), retiraram Jorge & Mateus da programação de fim de ano após a repercussão do apoio de Jorge a Flávio Bolsonaro. Esses casos não sustentam a afirmação de que as prefeituras contratantes sejam, em conjunto, bolsonaristas.

No encontro de outubro, Jorge participou de uma paródia contra o PT. Depois da eleição, surgiram nas redes acusações de que ele teria feito comentários ofensivos ao Nordeste; o cantor negou as falas atribuídas a ele.

As prefeituras de Recife e Fortaleza disseram que os cancelamentos buscavam preservar o ambiente das comemorações. No caso desses dois eventos cancelados, as administrações informaram que o custeio das atrações seria privado, de modo que não se deve somar tais apresentações à conta de shows pagos com dinheiro municipal.