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Aliado de Nunes e Tarcísio, Milton Leite é indiciado por suspeita de elo com PCC

Tarcísio de Freitas Ricardo Nunes Milton Leite
Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo e Milton Leite, indiciado por elo com o PCC. Foto: Edson Lopes Jr/Prefeitura de São Paulo

A Polícia Civil de São Paulo indiciou o ex-presidente da Câmara Municipal Milton Leite (União Brasil) e outras 12 pessoas por suspeita de associação a organização criminosa no âmbito da Operação Vectura Corrupta, que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas de ônibus. A corporação também pediu à Justiça a prisão preventiva dos 13 investigados, segundo reportagem de Josmar Jozino publicada no UOL neste sábado (7).

Milton Leite foi um aliado político importante do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Sua influência nas gestões municipais e a proximidade com Tarcísio incluíram apoio à privatização da Sabesp e participação na articulação que levou Nunes à vice-prefeitura na chapa de Bruno Covas. A relação política é um antecedente relevante, mas não constitui prova de envolvimento de Nunes ou Tarcísio nos crimes investigados.

A Operação Vectura Corrupta, deflagrada em setembro, examina a atuação de um suposto núcleo do PCC em contratos do transporte coletivo e na administração de empresas que obtiveram concessões públicas. Para a Polícia Civil, Milton Leite teria exercido controle operacional sobre companhias vinculadas ao grupo criminoso e seria o proprietário de fato da Transwolff. O ex-vereador nega ligação com a facção e com a empresa.

O relatório final do inquérito tem 104 páginas. Segundo os investigadores, Milton Leite teria ocultado ou destruído provas, dispõe de grande influência política e econômica e teria mantido contato com pessoas alheias à investigação durante a custódia. São conclusões da investigação policial, contestadas pelo ex-presidente da Câmara, e não condenações judiciais.

Transwolff foi citada em inquérito sobre o PCC
A empresa Transwolff era responsável pela gestão de 132 linhas da Zona Sul paulista. Foto: Jéssica Bernardo/Metrópoles

Entre os demais indiciados estão Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, empresa municipal responsável pela gestão do transporte coletivo, e Danilo Marco Morgado Silva (PL), ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande. A lista também inclui Carla de Paula Muller, mulher de Antônio José Muller Júnior, conhecido como Granada, apontado pelo Ministério Público paulista como integrante da liderança do PCC. A relação familiar, isoladamente, não comprova participação em crime.

Milton Leite está preso temporariamente desde 18 de setembro. Ele foi transferido da Cadeia Pública de Mogi das Cruzes para o Centro de Detenção Provisória 2 de Guarulhos em 20 de outubro, depois que uma investigação sobre possíveis regalias na prisão provocou afastamentos de policiais. A defesa também nega que ele tenha recebido tratamento privilegiado.

A Polícia Civil incluiu no inquérito suspeitas sobre outros empresários do setor. Paulo Sirqueira Korek Farias, apontado pelo Ministério Público como responsável por companhias de ônibus, foi transferido para o interior paulista. Já Sérgio Luiz Gevaerd de Oliveira é considerado foragido; investigadores suspeitam que esteja nos Estados Unidos. Esses fatos integram o relatório, mas não autorizam concluir que todos os indiciados tenham desempenhado o mesmo papel.