
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou ao jornal The Washington Post que Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), “não sabe do que está falando” ao reconhecer a vitória do presidente Lula (PT) nas eleições de 2026. Sem apresentar provas, o bolsonarista voltou a sustentar a tese de fraude no pleito.
“Eu garanto a vocês que ele não sabe do que está falando”, disse Flávio ao jornal norte-americano. O senador também declarou que ninguém, “nem o presidente do Tribunal Superior Eleitoral”, poderia afirmar com certeza absoluta que não houve fraude.
Nunes Marques, que foi indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai do senador, confirmou a reeleição de Lula na noite de 25 de outubro, após a apuração do segundo turno. Ele telefonou para os dois candidatos para comunicar o resultado eleitoral. Flávio perdeu a disputa presidencial por 4,4 milhões de votos.
Senador diz que foi aos EUA para repetir acusações sem medo de prisão
Em entrevista concedida em Aventura, cidade ao norte de Miami, na Flórida, Flávio disse que deixou o Brasil para sustentar a alegação de fraude sem receio de ser preso. Ele não detalhou seus planos imediatos e afirmou que precisa regularizar a situação imigratória nos Estados Unidos.
“Ainda é muito cedo para tomar qualquer decisão definitiva”, declarou. “Mas, obviamente, o que preciso fazer agora é regularizar minha situação imigratória e, bem, pensar no que vou fazer.”
O senador também se recusou a explicar a rota usada para sair do Brasil. “Nunca vou falar sobre o caminho que fiz”, afirmou, repetindo uma resposta que já havia dado ao The New York Times.
Uma fonte da área de segurança brasileira ouvida pelo Washington Post, sob condição de anonimato, disse que a polícia investiga se uma rede de agentes americanos, argentinos e israelenses ajudou Flávio a deixar o país.
Flávio afirmou ainda que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “está convencido de que o Brasil não é mais uma democracia plena”. Ao comparar a situação brasileira com a dos EUA, citou Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, e Trump, que retornou à Presidência após contestar sem provas a derrota eleitoral de 2020.
“As instituições americanas ainda funcionam. Já no Brasil, deixaram de funcionar”, disse o senador. Flávio concedeu entrevistas nos últimos dias também à Folha e ao The New York Times.