
O governo da Bahia organizou uma força-tarefa para investigar denúncias de xenofobia, discriminação e outros possíveis crimes envolvendo turistas israelenses e moradores de Salvador, Itacaré e Morro de São Paulo. A iniciativa é coordenada pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), após episódios de violência de gênero na capital e conflitos relacionados à presença de visitantes estrangeiros no litoral do estado.
Em Itacaré, no sul da Bahia, moradores denunciaram que um grupo de turistas israelenses tentou destruir um mural de solidariedade ao povo palestino em 30 de outubro. A intervenção artística havia sido produzida coletivamente na parede de um casarão histórico, por iniciativa da Frente Palestina do Sul da Bahia. Moradores impediram a depredação, mas o painel acabou sendo removido posteriormente, após pressão de empresários locais sobre o proprietário do imóvel.
Outro episódio ocorreu em Salvador, onde uma jornalista denunciou ter sido vítima de importunação sexual e ataques verbais por parte de um turista israelense. Segundo o governo estadual, os casos estão sendo investigados pela Polícia Civil. A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, em articulação com a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), entrou em contato com a denunciante para oferecer assistência. Ela deverá ser ouvida pelo Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos (CEDDH) na próxima semana.
A força-tarefa também examinará relatos de possíveis práticas discriminatórias em estabelecimentos comerciais de Itacaré e Morro de São Paulo. A Superintendência de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-BA) participará das ações, em conjunto com a Secretaria de Turismo, para orientar profissionais do setor e prevenir situações de racismo, sexismo, xenofobia e outras formas de intolerância.
Segundo a SJDH, as medidas incluirão capacitação de trabalhadores do turismo sobre os direitos de migrantes, estrangeiros e comunidades locais. A iniciativa busca assegurar o respeito aos moradores das regiões turísticas e aos visitantes, independentemente de sua nacionalidade, além de preservar a liberdade de manifestação política.
Itacaré, sul da Bahia, virou um ambiente de extremo conflito entre turistas israelenses e baianos. Eles chegam e querem mandar na cidade, como se fossem os donos. A Bahia é acolhedora, mas não temos vocação para subalternidade. https://t.co/xfN6alWJNc
— Olívia (@oliviasantana65) November 8, 2026
O governo baiano também mantém contato com o Ministério das Relações Exteriores, o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. No âmbito estadual, a atuação envolve as secretarias de Políticas para as Mulheres, Turismo e Segurança Pública.
Na próxima semana, a SJDH promoverá reuniões com representantes dos órgãos federais e estaduais, organizações da sociedade civil e integrantes das comunidades afetadas. Os encontros deverão definir medidas conjuntas de prevenção, acompanhamento das denúncias e enfrentamento de práticas discriminatórias.
O secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Felipe Freitas, afirmou que a atividade turística deve respeitar os direitos fundamentais de moradores e visitantes. “A Bahia é um estado acolhedor e democrático, e a atividade turística em nosso território deve ser pautada pela convivência harmônica, pela inclusão, pela cidadania e pelo respeito intransigente aos direitos humanos de todas e todos”, declarou.
Estou acionando as autoridades e cobrando medidas urgentes sobre o caso de assédio sexual cometido por um turista israelense contra uma brasileira em Salvador.
Conforme a denúncia da vítima, um turista israelense a assediou, ofendeu, perseguiu e ameaçou após ela rejeitar seus avanços quando ela estava saindo de um atendimento hospitalar na região da Barra. Há indícios, também, de que o turista está hospedado na mesma região em que a vítima mora.
Tudo isso cria uma situação de gravíssimo risco para a integridade e a vida desta mulher e de outras mulheres na Bahia.
É público que grande parte dos turistas israelenses que estão tirando férias no Brasil, principalmente na Bahia, são militares ou ex-militares, e eles estão chegando aqui após o exército israelense perpetrar verdadeiros crimes contra a humanidade, nos quais a completa desumanização das vítimas não apenas é comum, como é um comportamento estimulado e defendido pelo estado de Israel.
E, conforme amplamente noticiado, soldados de Israel já utilizaram o estup*o como forma de entretenimento e tortura contra vítimas palestinas e, posteriormente, foram inocentados pelas autoridades israelenses.
Não podemos permitir que soldados de outro país cheguem ao nosso país e, com proteção de uma nação estrangeira e suas autoridades, façam o que bem entenderem em nosso território, aterrorizem mulheres brasileiras e as coloquem em risco.
Por isso, como presidenta da Comissão das Mulheres da Câmara dos Deputados estou em contato com a vítima e oficiando a Secretaria de Segurança Pública da Bahia pedindo providências urgentes para a sua proteção e a responsabilização do agressor, e também a criação de um canal específico de denúncias sobre casos de assédio cometidos por turistas estrangeiros.
Também estou solicitando ao Itamaraty que avalie as medidas cabíveis frente ao acúmulo de casos de horrores cometidos por soldados israelenses na Bahia. Inclusive, a proibição de entrada de soldados de toda e qualquer nação estrangeira que seja acusada por órgãos internacionais de crimes de guerra, incluindo Israel.
— ERIKA HILTON (@ErikakHilton) November 7, 2026