
A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos após sua derrota na eleição presidencial é considerada errada por 62% dos brasileiros, aponta pesquisa Quaest. Outros 29% avaliam que a decisão foi acertada, em um cenário de rejeição também ao questionamento do resultado do segundo turno pelo filho de Jair Bolsonaro. Com informações de O Globo.
O levantamento identificou uma divisão expressiva entre eleitores de direita que não se declaram bolsonaristas. Nesse grupo, 46% avalizam a ida de Flávio aos EUA, enquanto 45% a criticam, diferença dentro da margem de erro.
Na pergunta sobre os motivos da viagem, 56% dos entrevistados disseram acreditar que Flávio busca escapar de investigações, ante 35% que veem uma tentativa de proteção contra perseguição política. Entre a direita não bolsonarista, 42% apontaram fuga da Justiça e 51% aderiram à hipótese de perseguição.

As investigações mencionadas na sondagem envolvem os casos Master e Willer Tomaz, que tramitam no Supremo Tribunal Federal. No inquérito relacionado ao banqueiro Daniel Vorcaro, apura-se o destino de R$ 134 milhões solicitados por Flávio para a cinebiografia de Bolsonaro, o filme “Dark horse”.
Pesquisa aponta fissura na direita após derrota de Flávio Bolsonaro
O cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest, afirmou que os dados expõem uma divisão que ganhou força depois da eleição. Para ele, uma parte da direita não bolsonarista se aproxima das posições mais radicais, enquanto outra rejeita a contestação do resultado e a saída do país.
“Essa divisão é um sinal importante de que há espaço para diálogo democrático com essa direita que não tolera questionamento ao resultado, que não compra a tese da perseguição e que não acha que sair do país foi a estratégia correta para quem deveria liderar a oposição”, afirmou Nunes.
A pesquisa também mostrou que 59% dos entrevistados rejeitam o discurso de Flávio contra o resultado eleitoral, enquanto 34% o apoiam. O índice favorável é igual ao percentual que apoiava o questionamento das urnas por Jair Bolsonaro em 2022.
Entre os eleitores que votaram em Flávio no segundo turno, 21% discordam do não reconhecimento do resultado e 24% avaliam que ele “se comportou mal” depois da derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No total, 25% aprovam a conduta de Flávio no período, e 60% a reprovam.
A Quaest ouviu 2.004 eleitores entre 30 de outubro e 2 de novembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.