
O papa Leão XIV visitará na próxima segunda-feira (9) o Cottolengo Don Orione, instituição católica em Claypole, na Argentina, que denuncia cortes do governo de Javier Milei no fornecimento de itens essenciais para pessoas com deficiência.
A visita será a primeira parada do pontífice em seu primeiro dia completo no país. O abrigo fica a cerca de 26 quilômetros de Buenos Aires e atende aproximadamente 400 pessoas com deficiência.
Fernando Montero, coordenador da instituição, afirmou que o governo interrompeu o fornecimento de medicamentos, alimentos especiais e fraldas. Ele disse que o abrigo não recebe esses produtos desde novembro de 2025 e que a disputa chegou à Justiça.
Montero avaliou que Leão XIV e Milei têm visões opostas sobre o valor das pessoas. Para o coordenador, o papa ensina que esse valor não depende da produtividade, enquanto classificou o presidente argentino como um “hipercapitalista”.
Bispos cobraram solução do Ministério da Saúde
Bispos argentinos denunciaram a situação das instituições voltadas a pessoas com deficiência ao ministro da Saúde, Mario Lugones, em 1º de abril. O ministério se reuniu com representantes da Igreja em abril e novamente em 5 de outubro, sem encerrar o impasse.
O governo argentino tenta reduzir a expectativa de atritos políticos durante a passagem do papa. Sandra Pettovello, ministra responsável pela política social, afirmou: “Não há como o papa vir aqui para comentar a política local”.
Milei reduziu despesas públicas desde que assumiu a Presidência, em dezembro de 2023, e sustenta que as medidas ajudaram a conter a inflação. O centro de estudos Mate estima que aposentados que recebem o benefício mínimo perderam cerca de 30% do poder de compra; esse grupo reúne 63% dos aposentados do país.
Leão XIV também deve se reunir com empresários e sindicalistas em Buenos Aires. Na terça-feira (10), ele celebrará uma missa na fábrica estatal de aviões militares FAdeA, em Córdoba, onde trabalhadores protestaram contra os cortes. Será a primeira visita de um papa à Argentina desde João Paulo II, em 1987; o argentino Francisco não retornou ao país durante seu pontificado.