
Uma ala de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avalia que a reeleição do presidente Lula (PT) e a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial deram um respiro à corte. Os magistrados, porém, consideram que a eleição para a presidência do Senado, em fevereiro de 2027, definirá o tamanho da pressão política que o tribunal enfrentará.
À Folha de S.Paulo, integrantes do STF relataram alívio por manter o bolsonarismo fora do Palácio do Planalto, mas tratam os próximos meses com cautela. A corte segue sob críticas e ameaças de impeachment promovidas por setores bolsonaristas, especialmente por senadores que levaram essa bandeira para a campanha eleitoral.
O presidente do Senado decide se pedidos de impeachment contra ministros do Supremo terão andamento. Caso um processo avance, o afastamento de um integrante da corte exige ao menos 54 votos entre os 81 senadores, o equivalente a dois terços da Casa.
Ministros veem a possível recondução de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) à presidência do Senado como um fator de distensionamento. Alcolumbre resistiu às pressões pelo afastamento de integrantes do STF e recebeu novo fôlego com a articulação do governo Lula por sua permanência no cargo.

Disputa pelo comando do Senado concentra atenção do Supremo
Alcolumbre tem apoio anunciado de União Brasil, PP, partidos do centrão e setores do governo. A disputa, porém, permanece aberta porque o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, e a senadora Tereza Cristina (PP-MS) também estão no páreo. A votação para o comando da Casa é secreta e individual.
Ao lançar sua candidatura na quarta-feira (4), Marinho disse que não concentrará sua atuação em pedidos de afastamento contra integrantes do tribunal, mas indicou que não deixará o tema de lado. “Não seremos candidatos com um tema de impeachment de quem quer que seja, mas de respeito à Constituição”, afirmou. “Se algum ministro cometer crime de responsabilidade, nós não seremos, ao contrário do que acontece hoje, omissos.”
Os ministros esperam uma relação mais cordial entre o Executivo e o Supremo com Lula no Planalto e avaliam que haverá espaço para acordos institucionais. Ainda assim, preveem que a corte continuará no centro de conflitos entre governo e Congresso diante da bancada bolsonarista eleita em 2026.
Auxiliares de três ministros também enxergam maior margem para acomodação política em temas que envolvem os Estados Unidos e eventuais sanções a autoridades brasileiras. A preocupação era que Flávio Bolsonaro apoiasse iniciativas do presidente americano Donald Trump contra integrantes das instituições brasileiras.
O presidente do STF, Edson Fachin, também acompanha os desdobramentos da investigação sobre o Banco Master. A Polícia Federal prepara relatórios sobre menções a ministros encontradas no material apreendido, inclusive no celular do banqueiro Daniel Vorcaro.
Em 13 de outubro, Fachin cobrou da Polícia Federal o envio de todas as referências a integrantes do tribunal, sem exceções. A corporação ainda não fixou prazo para concluir a revisão do material, e integrantes da corte não esperam receber os documentos antes da virada do ano.