Diário do Centro do Mundo | O que interessa e nada mais

Logo DCM
Logo DCM
Apoie o DCM

Governo do Pará planejou lotear terra indígena se Flávio Bolsonaro vencesse

Flávio Bolsonaro. Foto: Divulgação

O jornalista José Roberto de Toledo relatou que um boato sobre uma possível vitória de Flávio Bolsonaro (PL) provocou uma invasão em massa da Terra Indígena Ituna-Itatá, no Pará. Mais de 200 pessoas teriam entrado no território durante a campanha eleitoral, com carros e motos, na expectativa de receber lotes de terra. Com informações do UOL.

A Ituna-Itatá fica perto de Altamira e abriga povos indígenas isolados, sem contato regular com não indígenas. A Funai mantém fiscalização na região porque esses povos enfrentam risco elevado de doenças, já que não possuem imunidade a enfermidades comuns fora de suas comunidades.

Toledo afirmou, no podcast “A Hora”, que a Assembleia Legislativa do Pará e o governo estadual criaram uma Área de Proteção Ambiental que se sobrepunha à terra indígena durante a campanha. A medida atingiu uma reserva situada em uma das regiões amazônicas mais pressionadas pelo desmatamento.

Depois da criação da APA, passou a circular a promessa de que uma vitória de Flávio Bolsonaro permitiria lotear a área e entregar glebas a quem já estivesse no local. “Bastava o Flávio ganhar que eles iam lotear a área, iam dar glebas de terra pra todo mundo que já estivesse lá”, disse Toledo.

Segundo o jornalista, a Funai e o Ministério dos Povos Indígenas tentaram enviar a Força Nacional para retirar os invasores da Ituna-Itatá. A operação dependia de autorização do governo paraense, que não liberou a entrada inicial da tropa, ainda de acordo com o relato.

O Ministério Público recorreu à Justiça para garantir a desintrusão, termo usado para a retirada de ocupantes ilegais de áreas protegidas. Toledo disse que uma decisão judicial determinou a atuação e previa multa ao governo federal caso não adotasse providências; depois disso, a Força Nacional iniciou a retirada.

O jornalista associou o episódio à disputa eleitoral em áreas indígenas, onde o acesso difícil às aldeias pode elevar a abstenção. Ele afirmou que urnas instaladas em comunidades indígenas ou em locais próximos registraram, em alguns casos, percentuais de votos em Lula (PT) acima dos observados em áreas vizinhas.

Toledo descreveu o caso como parte de um conflito recorrente entre interesses eleitorais locais e a proteção territorial dos povos originários.