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TRE-MG suspende investigação contra deputada após denúncia de Flávio

Ana Elisa Santos Silva, deputada federal eleita pelo PT em Minas Gerais
Ana Elisa Santos Silva, deputada federal eleita pelo PT em Minas Gerais. Foto: Reprodução

O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) suspendeu liminarmente a investigação da Polícia Federal contra a deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), aberta após notícia-crime apresentada por Flávio Bolsonaro (PL). O caso envolve publicações da parlamentar sobre uma suposta tentativa de bolsonaristas de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.

O desembargador federal Lincoln Rodrigues de Faria tomou a decisão em 29 de outubro. Ele entendeu que não havia elementos suficientes para indicar que Ana Elisa sabia que a informação divulgada era falsa, condição necessária para caracterizar o crime eleitoral investigado.

A medida não arquiva definitivamente o procedimento. Ela interrompe a apuração até que o colegiado do TRE-MG analise o mérito do habeas corpus apresentado pela defesa da deputada eleita.

A investigação teve origem em duas postagens feitas no X em 24 e 25 de setembro, durante a campanha presidencial. Flávio Bolsonaro alegou que as mensagens divulgavam fatos falsos capazes de influenciar o eleitorado.

Senador Flávio Bolsonaro
Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Foto: Reprodução

Ao examinar o pedido da defesa, o relator afirmou que a divulgação de uma informação posteriormente considerada falsa não prova, por si só, que a pessoa responsável pela postagem conhecia sua falsidade. “Não se pode presumir que, quando da manifestação posterior, ocorrida no dia 25 de setembro de 2026, a deputada eleita já havia tido ciência da correção da informação divulgada pelos veículos de comunicação”, escreveu.

Rodrigues de Faria também observou que a primeira publicação não citava Flávio Bolsonaro nominalmente e se referia de forma genérica a integrantes de um grupo político. Para o magistrado, a decisão que autorizou o inquérito não detalhou de modo suficiente a diferença entre uma eventual irregularidade eleitoral e uma conduta criminosa.

A Justiça Eleitoral de Divinópolis determinou a abertura do inquérito em 14 de outubro, após manifestação favorável do Ministério Público Eleitoral. A apuração buscava verificar a possível divulgação de fatos sabidamente inverídicos durante a campanha, crime que prevê detenção de dois meses a um ano ou multa, com aumento de pena quando cometido pela internet.

Flávio Bolsonaro também pediu medidas cautelares para impedir novas publicações da deputada eleita sobre a eleição presidencial. O Ministério Público e o juiz eleitoral rejeitaram essa solicitação por considerá-la excessivamente ampla.

O relator suspendeu oitivas, interrogatórios, diligências e requisições de provas, mas manteve a preservação dos registros digitais das postagens feitas entre 24 de setembro e 8 de outubro. A Justiça Eleitoral de Divinópolis terá cinco dias para informar se o inquérito foi formalmente instaurado e quais atos já realizou; depois da manifestação da Procuradoria Regional Eleitoral, o TRE-MG julgará se a apuração continuará ou será encerrada.