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Um dia antes de receber Lula, papa faz defesa da Amazônia

Papa Francisco no Sínodo da Amazônia em 2019

Publicado na Rede Brasil Atual 

Na véspera da audiência com Lula, o Vaticano divulgou texto (Exortação) do Papa sobre o recente Sínodo da Amazônia. Usando os termos “injustiça e crime”, ele critica interesses que, “legal e ilegalmente”, continuam aumentando o corte de madeira e a indústria da mineração, “expulsando e encurralando os povos indígenas, ribeirinhos e afrodescendentes”.

Ele acrescenta que isso resultou em migração de indígenas para as periferias das cidades, onde “não encontram uma real libertação dos seus dramas, mas as piores formas de escravidão, sujeição e miséria”. “Nestas cidades caracterizadas por uma grande desigualdade, onde hoje habita a maior parte da população da Amazônia, crescem também a xenofobia, a exploração sexual e o tráfico de pessoas. Por isso, o clamor da Amazônia não brota apenas do coração das florestas, mas também do interior das suas cidades.”

O líder da Igreja Católica critica as “operações econômicas, nacionais ou internacionais”, que prejudicam a região e não respeitam os direitos dos povos nativos. “Quando algumas empresas sedentas de lucro fácil se apropriam dos terrenos, chegando a privatizar a própria água potável, ou quando as autoridades deixam mão livre a madeireiros, a projetos minerários ou petrolíferos e outras atividades que devastam as florestas e contaminam o ambiente, transformam-se indevidamente as relações econômicas e tornam-se um instrumento que mata”, afirma o Papa. Ele diz ainda que a globalização não pode se transformar em um “novo tipo de colonialismo”.

Leia aqui a íntegra do texto, denominado Querida Amazônia, na versão em português.

Também hoje, o jornal L’Osservatore Romano lembrou do assassinato da missionária Dorothy Stang, em 2005, no Pará: “Ela representa todos aqueles religiosos, sacerdotes, irmãos, diáconos, leigos, que todos os anos perdem a vida no mundo em nome da fé”. Também são citados, entre outros, o religioso britânico Paul McAuley, morto no Peru, e a líder do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) Dilma Ferreira da Silva, também assassinada no Pará, no ano passado.