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“Mulher é uma ajudadora do esposo”: o papel de Michelle Bolsonaro no desastre do marido. Por Nathalí

Michelle Bolsonaro ao lado de Jair Bolsonaro
Foto: SILVIO AVILA/AFP

Por Nathalí 

A tentativa de salvar Bolsonaro da rejeição feminina tem sido uma tarefa assumida por sua esposa, Michelle Bolsonaro, presente quase sempre nos compromissos de campanha do marido e ocupada em promover eventos com público feminino.

O caminho que ela tem tomado para conquistar os votos do eleitorado feminino, entretanto, é no mínimo duvidoso: a estratégia é reforçar o papel de “bela, recatada e do lar”, que, graças à deusa, vem dando errado desde Marcela Temer.

Ontem, em evento de campanha com o marido, Michelle disparou mais um de seus absurdos: “Mulher é uma ajudadora do esposo”, disse, seguindo a linha de um cristianismo já ultrapassado – uma vez que há, sim, pessoas evangélicas com pensamentos menos provincianos.

A estratégia, entretanto, faz sentido dentro do clã bolsonarista: conquistar as mulheres evangélicas através da religiosidade é parte do projeto de colonização de suas mentes. Convencê-las de que são apenas “ajudadoras” sem qualquer protagonismo e que isso é a vontade de Deus é uma tentativa desesperada de manter de pé o Brasil machista que a família Bolsonaro vem agravando.

O que Michelle Bolsonaro não entendeu é que as mulheres evangélicas – as poucas que apoiam um crápula que considera as mulheres “fraquejadas” – não conseguirão salvar seu marido da rejeição de outras milhares de mulheres que conhecem o seu lugar.

Para cada evangélica, minhas amigas, há 10 discípulas de Maria Margarida Alves (sindicalista assassinada por sua luta política e que inspira o nome da Marcha das Margaridas, um dos maiores movimentos de mulheres do Brasil).

Em outras palavras: as mulheres brasileiras não estão pra brincadeira.

Reunir meia dúzia de gatas pingadas em um salão pode até convencê-las de que elas são ajudadoras dos seus maridos ou, como disse Heloísa Bolsonaro, submissas a eles, mas isso não salvará Bolsonaro nas urnas porque o Brasil já sabe – é mais do que notório – que ele odeia mulheres.

“E a gente aguenta, né? Mas graças a Deus, deus tem falado muito ao coração do meu marido”, arrematou, na mesma oportunidade (e eu não sei bem o porquê de ter lido essa frase com a voz de Inês Brasil).

Não, minha irmã, a gente não aguenta. Você aguenta. Suas companheiras de submissão aguentam. As mulheres brasileiras em geral, não.

E não me venham falar em sororidade: quem leu ou assistiu The Handmaid’s Tale sabe que nem toda mulher é digna de nossa sororidade. Gente como Michelle Bolsonaro, Damares, Heloísa Bolsonaro, Zambelli e companhia limitada não faz parte da nossa luta, ao contrário: são ajudadoras de seus companheiros homens na tarefa de nos oprimir e nos colocar de volta no lugar no qual sempre estivemos: a invisibilidade.

Depois de agredir Maria do Rosário, chamar a própria filha de “fraquejada”, negar absorventes a mulheres em situação de rua e ofender uma jornalista ao vivo (mais de uma vez, ressalte-se), Bolsonaro é burro o suficiente pra acreditar que bastam algumas falas em favor das mulheres e meia dúzia de apoiadoras traíras pra limpar a própria barra – façam-me uma garapa.

Apesar da necessidade de uma campanha institucional para que as mulheres exerçam seu direito de votar – conquistado com o sangue de nossas ancestrais – nunca foi tão urgente para nós, mulheres, escolhermos nossos representantes com sabedoria.

A resposta para Bolsonaro precisa vir nas urnas – e precisa vir pelas mãos fortes das mulheres.

A revolução será feminista, ou não será.

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