A 3ª temporada de “La Casa de Papel” e o submundo das fake news na indústria do entretenimento. Por Tiago Barbosa

POR TIAGO BARBOSA

A viralização da notícia falsa sobre a estreia da terceira parte da série La Casa de Papel, fenômeno televisivo veiculado pela Netflix, é um poderoso indicativo de como o combate às fake news precisa ir além da vigilância dos perfis duvidosos e mal intencionados nas redes sociais.

Sites de notícias e canais especializados em filmes e seriados tomaram como base um pôster anônimo em circulação pela rede para cravar o retorno da produção em setembro.

Nem atentaram a uma análise cuidadosa da montagem – marcada por erros visíveis – ou mesmo fizeram a checagem primordial do assunto junto ao serviço de streaming.

O cartaz enganoso apresenta uma moeda de Real ao centro em vez do Euro, unidade de valor corrente na Espanha, onde se passa a série.

Na área inferior, o termo “temporada” contraria o epíteto “parte”, usado pela Netflix para tratar das fases dessa produção específica – porque a primeira temporada foi dividida em dois momentos.

A notícia correu como rastro de pólvora nos sites e foi multiplicada nos perfis oficiais nas redes, do Facebook ao Instagram.

A coprodutora do seriado Vancouver Media usou o perfil no Insta para desmentir, de forma sucinta, o boato: é falso o pôster espalhado pela rede.

Havia outro indício significativo para desconfiar do anúncio: a terceira parte de La Casa de Papel só foi confirmada pela Netflix em abril deste ano (com previsão de estrear em 2019), e a antecipação para setembro fugiria do padrão de lançamento das produções do serviço de streaming.

Contrariados, vários sites embutiram nas notícias, de forma tímida, o desmentido. Houve quem enganasse os seguidores nas redes sociais e alterasse o texto sem sequer avisar – o que provocou distorção entre a postagem e os comentários sobre a divulgação errada.

Embora mais comuns e até certo ponto toleradas por espectadores, as informações equivocadas sobre datas de filmes e seriados integram o submundo das fake news e exigem apuração rigorosa para combater, no campo cultural, uma prática comum nas áreas da política e da economia.

Mas o poder de propagação das notícias falsas ligadas ao entretenimento é, indevidamente, subestimado e raramente as fake news do setor se submetem à lupa vigilante de agências fiscalizadoras ou ao crivo crítico de quem esmiuça informações em áreas smais sensíveis.

Cumprem livremente, assim, a missão de viralizar e conectar perfis através de uma mentira, objetivo muitas vezes buscado com robôs para fins políticos.

La Casa de Papel é um seriado espanhol produzido também pela Atrasmedia, exibido pena Antena3 e veiculado internacionalmente pela Netflix.

Narra a história de um grupo heterogêneo de criminosos reunido por um líder para roubar a Casa da Moeda do país.

A investida assume um tom heróico a partir das razões por trás do plano adotado para enganar os investigadores e conquista simpatia com boa dose de sentimentalismo na relação entre os assaltantes, os reféns e a polícia.

As duas temporadas – ops, partes – estão disponíveis no catálogo da Netflix. A próxima deve chegar em 2019 – se as fake news, claro, não anteciparem.

 

 

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