Como as garotas do Femen conquistaram o mundo

As jovens ucranianas trouxeram beleza aos protestos sem perda de dignidade, e hoje fazem diferença

As ativistas do Femen, em Paris

 

O Diário saúda os inconformistas e o incorformismo. Se não os houvesse, estaríamos hoje vendo na França o rei Luís 89.

Se o mundo se mexe, se injustiças vão sendo derrotadas e os direitos conquistados, é por causa dos inconformistas.

Por isso o Diário saúda as militantes do Femen, o movimento feminista que nasceu na Ucrânia e acaba de chegar à França, com a instalação de um escritório em Paris.

Femen é uma palavra que deriva de feminino. As neofeministas originárias da Ucrânia, ao contrário de suas antecessoras mal-humoradas, gordas e mal-amadas, não escondem o corpo. Usam a seminudez, em vez disso, como uma arma para chamar a atenção para suas causas.

A causa inicial era denunciar o turismo sexual na Ucrânia. Com o fim do comunismo, as belas jovens ucranianas ficaram como que à mercê de turistas endinheirados que as corrompiam com suas moedas.

Eram protestos convencionais, e ninguém prestou atenção. Veio então a idéia que fez toda a diferença: tirar a roupa. Protestar de topless.

E então o Femen ganhou as manchetes. Editores de jornais estão sempre na busca desesperada de mulheres bonitas, de preferência com pouca roupa, que sirvam de contraponto para os políticos e empresários feios e sombrios que povoam o noticiário.

As causas foram se ampliando, com o tempo. As garotas do Femen acabaram declarando guerra também à religião. Todas as religiões.

Elas gritaram na Itália contra Berlusconi no fragor dos escândalos sexuais do ex-premiê italiano e na França, pelas mesmas razões, contra Domenique Straus-Kahn, o popular DSK. Ambos, para as mulheres do Femen, são a quintessência do sexismo depravado – homens velhos que exploram garotas novas.

Recentemente, elas se manifestaram contra a prisão do grupo punk russo Pussy Riot, aquele que invadiu a catedral de Moscou e cantou músicas em que pediam a Nossa Senhora que derrubasse Putin.

Nem sempre os protestos fazem sentido, é verdade. Em Paris, há poucos dias, elas instaram as muçulmanas a tirar não apenas os véus, mas tudo. Seria o mesmo que convocar as ocidentais a vestir burcas. Mas, no atacado, elas inegavelmente combatem bons combates.

Em sua tentativa de se globalizar, o Femen até no Brasil já há representantes. A principal delas é Sara Winter, 20 anos, nascida em São Carlos, interior de São Paulo. O turismo sexual é, a exemplo do que ocorreu no começo com as ativistas ucranianas, um dos alvos de protesto de Sara Winter. (Winter é um sobrenome fictício, usado para “não envolver a família).

Sara Winter, a brasileira do Femen

A nudez é um recurso honesto e legítimo, ainda que não exatamente original, para atrair a atenção para causas. O Peta, o movimento pró-animais, frequentemente recorre à nudez de simpatizantes famosas e bonitas em seus protestos. Alicia Silvestone já se despiu pelo vegetarianismo.

No Brasil, num gesto corajoso, Soninha ficou nua para promover o uso de bicicletas. Não foi pequeno o impacto: todo dia pessoas chegam ao Diário usando, nos mecanismos de busca da internet, a expressão “Soninha nua”. Eu disse todo dia.

O Diário celebra a nudez libertária, celebra a iconoclastia. E por isso aplaude entusiasmadamente as jovens do Femen.

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