
O governo do presidente Lula passou a incluir os minerais críticos brasileiros entre os temas centrais das negociações com os Estados Unidos diante da ameaça de novas tarifas de 25% sobre produtos nacionais. A estratégia ganhou força após a conclusão da investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que propôs a ampliação das taxas sobre mercadorias brasileiras.
Uma audiência pública está prevista para 6 de julho e deverá reunir representantes de entidades brasileiras e estadunidenses para discutir as medidas. Nos bastidores, integrantes do governo brasileiro avaliam que o potencial de exploração das terras-raras pode ter peso nas conversas com Washington.
O interesse dos Estados Unidos nesses minerais foi manifestado ainda em julho do ano passado pelo encarregado de negócios da embaixada americana em Brasília, Gabriel Escobar. Desde então, o tema passou a integrar as discussões bilaterais sobre comércio e investimentos.
A exploração de minerais críticos também esteve na pauta do encontro entre Lula e Donald Trump realizado no início de maio. Na véspera da reunião, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto que estabelece diretrizes para uma política nacional de terras-raras. A proposta ainda aguarda análise do Senado.
O Brasil possui a segunda maior reserva mundial desses minerais, considerados estratégicos para setores de tecnologia, energia e indústria. Lula tem defendido a possibilidade de acordos com os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que mantém a disposição de receber investimentos de outros países interessados no setor.

Em abril deste ano, a mineradora Serra Verde, localizada em Goiás e apontada como a única fora da Ásia a produzir em escala os quatro elementos magnéticos essenciais de terras-raras, foi adquirida pela empresa americana USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões.
Outro argumento utilizado pelo governo brasileiro nas negociações é o saldo comercial entre os dois países. Desde o primeiro pacote tarifário adotado pelos Estados Unidos em agosto do ano passado, representantes do governo sustentam que os americanos mantêm superávit na balança comercial com o Brasil.
Segundo integrantes da equipe econômica, o dado foi apresentado por Lula, pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo então ministro da Fazenda Fernando Haddad durante as tratativas.
Além das questões comerciais, o combate ao crime organizado entrou na pauta das conversas entre os dois governos. A classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos ampliou a tensão diplomática.
Lula afirmou que as facções representam uma ameaça à população brasileira, mas defendeu que o enfrentamento ao crime organizado deve ser conduzido pelas autoridades do próprio Brasil. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem citado operações como a Carbono Oculto para destacar as ações de combate à lavagem de dinheiro realizadas no país.