A Argentina diante da ascensão do fascismo que hipnotiza os jovens. Por Moisés Mendes

Atualizado em 17 de setembro de 2023 às 11:22
Javir Milei em entrevista na Argentina.
Javir Milei em entrevista na Argentina. Foto: Reprodução

O jornal argentino Página 12 tem na capa duas reportagens preocupantes sobre o avanço de Javier Milei, o fenômeno da extrema direita que pode vencer a eleição de outubro no primeiro turno.

A primeira reportagem conta o drama do empresário Daniel Rosato, dono de uma fábrica de papel com 140 empregados.

Rosato descobriu que nas prévias, que eles chamam de Paso e que habilitam os candidatos a disputar as eleições, realizadas em agosto, mais da metade dos seus funcionários votou em Milei.

Chamou-os para uma reunião, no galpão em que trabalham, e os alertou de que o Bolsonaro argentino pretende abrir totalmente a economia e matar empregos de empresas nacionais.

Mas ouviu especialmente dos jovens que ninguém aguenta mais direita e esquerda e políticos tradicionais. O povo está cansado, concluiu o empresário.

Os trabalhadores com mais idade até entenderam o alerta do patrão, mas não os mais jovens. E esses são a base da candidatura de Javier Milei e da ascensão do fascismo.

Bandeira da Argentina.
Bandeira da Argentina. Foto: Divulgação

Ao contrário de Bolsonaro, que sustenta sua base mais fiel na classe média e nos homens, Milei é uma ameaça real por ter sensibilizado a juventude.

A reportagem dá a entender que, depois de uma hora de conversa, Rosato, que não pediu para que os empregados votassem em algum candidato, se sentiu derrotado.

A outra reportagem trata de Victoria Villarruel, a candidata a vice na chapa de Milei pela coalização Liberdade Avança.

Victoria foi denunciada à Câmara Nacional Eleitoral, que seria o TSE deles, para que a Justiça investigue suas visitas ao ex-ditador Rafael Videla, que morreu em 2013.

Entidades antiditadura e de direitos humanos querem saber quais são os vínculos de Victoria com os militares e por que ela costumava fazer visitas ao general.

Victoria dá à chapa de Milei a sustentação da extrema direita militar, com discurso que sugere anistia a oficiais presos por crimes da ditadura. Seu pai foi coronel e ela se dedica há anos a exaltar torturadores.

O pedido de investigação das visitas pode não resultar em nada, mas tem o objetivo de vinculá-la ainda mais aos ditadores. Victoria refere-se a Estela de Carlotto, presidente das Avós da Praça de Maio, como “uma figura sinistra”.

O primeiro turno da eleição na Argentina acontece dia 22 de outubro. Se houver segundo turno, será no dia 19 de novembro. Milei enfrenta o peronista Sergio Massa e a candidata da direita tradicional, a macrista Patricia Bullrich.

Publicado originalmente em Blog do Moisés Mendes

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