A atitude de Flávio Bolsonaro que impediu Michelle de recuar em briga interna

Atualizado em 1 de julho de 2026 às 6:56
Flávio Bolsonaro e Michelle. Foto: reprodução

A guerra deflagrada no clã Bolsonaro ganhou novos capítulos após aliados do pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foragidos nos Estados Unidos, promoverem ataques contra Michelle Bolsonaro. A principal queixa no entorno da ex-primeira-dama é que o senador até agora não repudiou publicamente os ataques.

“Flávio poderia ter deixado claro que esse não é o pensamento da campanha, mas não fez isso”, queixou-se um aliado da ex-primeira-dama ao Globo.

Nos bastidores, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), aliada próxima de Michelle, endossou a reclamação e sinalizou seu desconforto com o fogo amigo dentro do bolsonarismo.

A saída de Michelle da presidência do PL Mulher, sacramentada na terça-feira (30), e os rumores de que ela pode desistir da pré-candidatura ao Senado pelo Distrito Federal agravaram a crise. Entre os bolsonaristas no exterior que alimentam a cizânia estão o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, seu aliado Paulo Figueiredo e Allan dos Santos.

Em um vídeo postado no dia seguinte à manifestação de Michelle, Figueiredo afirmou que a ex-primeira-dama e Damares são feministas, disse que “mulher vota estatisticamente muito mal” e insinuou ter informações comprometedoras sobre o relacionamento de Michelle com Jair Bolsonaro.

“Vocês não têm vontade de cortar um pouquinho os pulsos, só para ver o que acontece, toda vez que ela fala meu galego? Não soa fake? Principalmente se vocês soubessem as coisas que eu sei”, disse ele. O grupo também inclui o influenciador Kim Paim e o blogueiro Oswaldo Eustáquio, que frequentemente compartilham postagens com o nome de solteira de Michelle, Michelle Firmo.

Michelle respondeu em vídeo de 27 minutos, referindo-se ao grupo como “pessoas que estão no exterior”. “Alguns deles até aparecem em fotos ao lado de Flávio, fazem publicações e vídeos retirando o sobrenome Bolsonaro do meu nome numa tentativa de me atingir. Não me atingem. Eu sei quem eu sou e sei quem é meu marido”, afirmou.

Desde então, Valdemar Costa Neto e Damares têm atuado como “bombeiros” da crise, mas os esforços não surtiram efeito. Eduardo Bolsonaro já disparou nove postagens com referências à madrasta desde o episódio.

Em uma delas, respondeu a Valdemar, que havia dito que a eleição de Flávio “vai ficar muito difícil se perdermos a Michelle”: “Como se perde algo que nunca se teve?”, escreveu o ex-parlamentar. Entre integrantes do PL, há o temor de que a guerra interna produza efeitos mais nocivos à campanha de Flávio do que as investigações do Banco Master.

O tiroteio nas redes traz à tona machismo e misoginia, além de escancarar fissuras internas que podem afugentar o eleitorado feminino. “O esquema do Vorcaro não tinha ideologia. Agora, a crise Michelle tem um efeito mais permanente. Numa eleição, você vende a ideia de uma família exemplar, e o que temos aqui é uma família em pé de guerra”, comentou um interlocutor de Bolsonaro.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.