A bolsonarista que tira o sono de Lira e Calheiros na briga pelo Senado em AL

Atualizado em 2 de janeiro de 2026 às 10:35
Marina JHC, Arthur Lira e Renan Calheiros. Foto: reprodução

Os bastidores da política de Alagoas entraram em ebulição, já no fim de 2025, diante da possibilidade cada vez mais concreta de a primeira-dama de Maceió, Marina Candia, disputar uma vaga no Senado nas eleições de 2026. Embora nunca tenha concorrido a um cargo eletivo, a esposa do prefeito bolsonarista João Henrique Caldas (PL) passou a ser tratada como um nome competitivo, capaz de alterar de forma profunda o cenário que hoje aponta como favoritos dois políticos de peso nacional: o senador Renan Calheiros (MDB) e o deputado federal Arthur Lira (PP).

Carlos Madeiro, do Uol, explica que Marina tem ganhado projeção pública sobretudo pela presença constante ao lado do marido, conhecido como JHC, e pelo forte desempenho nas redes sociais. Aos 35 anos, ela soma 438 mil seguidores no Instagram, número superior ao de Lira e de Renan Calheiros.

Recentemente, inclusive, alterou o nome do perfil de Marina Candia para Marina JHC, gesto interpretado nos bastidores como sinalização política. Pesquisas internas e levantamentos já divulgados colocam seu nome à frente dos dois adversários quando testada para o Senado. Outra estratégia é se aproximar de influenciadores famosos, como Rico Melquíades, que tem mais de 10 milhões de seguidores no Instagram, e Carlinhos Maia, que rompeu a barreira dos 36,5 milhões só nesta rede social.

A entrada de Marina na disputa preservaria uma vaga do Senado nas mãos da família Caldas. Atualmente, quem ocupa o cargo é Eudócia Caldas (PL), mãe de JHC, que assumiu após a renúncia, em 2024, de Rodrigo Cunha (Podemos). Eudócia, no entanto, não deve tentar a reeleição, já que aparece mal posicionada nas pesquisas.

Ao UOL, Marina confirmou que avalia a candidatura. “É um assunto que precisa ser discutido com JHC e com o grupo político do qual ele faz parte. Mas ele sempre apoiou meus projetos e minhas escolhas — e não será diferente agora, se eu decidir pela candidatura”, afirmou.

Inicialmente, o plano ventilado nos bastidores era que Marina concorresse a uma das nove cadeiras de Alagoas na Câmara dos Deputados, repetindo o caminho trilhado por JHC entre 2015 e 2020.

A mudança de rota ganhou força nos últimos meses, quando seu nome passou a figurar com destaque nas pesquisas para o Senado. Ela reconhece que o desempenho está ligado à popularidade do marido, mas diz que há também reconhecimento por sua atuação em projetos sociais, esportivos e de incentivo ao empreendedorismo feminino, especialmente em Maceió.

JHC, prefeito de Maceió, e Marina Cândia. Foto: reprodução

A eventual candidatura de Marina se conecta a rearranjos políticos mais amplos. JHC era tratado como nome certo para disputar o governo estadual ou o Senado em 2026, mas teria selado, em julho, um acordo com o presidente Lula para a indicação de sua tia, Marluce Caldas, ao Superior Tribunal de Justiça.

O pacto, nunca confirmado oficialmente, envolveria a permanência do prefeito no cargo, abrindo caminho para as candidaturas de Renan Filho ao governo e de Renan Calheiros e Arthur Lira ao Senado. Nesse contexto, Marina surgiria como alternativa para não romper diretamente o chamado “acordo de Brasília”.

Reservado, JHC evita comentar o cenário e não sinaliza se pretende renunciar ao cargo até abril. Apesar de filiado ao PL e de ter apoiado Bolsonaro no segundo turno de 2022, mantém distância do ex-presidente e avalia até um retorno ao PSB, partido comandado nacionalmente por João Campos. Aliados avaliam que, com bom desempenho em pesquisas para o governo estadual, o prefeito ainda pode entrar na disputa. “O cavalo está passando selado”, resumiu um entusiasta.

Formada em direito e administração, Marina Candia é cuiabana e neta do ex-vice-governador de Mato Grosso José Monteiro de Figueiredo. Mudou-se para Maceió em 2020, após a eleição do marido, e é mãe de Maria Helena e José Henrique.

Em outubro, recebeu o título de cidadã alagoana da Assembleia Legislativa. Questionada sobre posicionamento ideológico, rejeita rótulos. “Acredito que a política precisa abrigar pessoas bem-intencionadas, capazes de transformar vidas”, resume.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.