A cafajestada de Weintraub no caso que sela para sempre a visão de miliciano que o mundo tem de Bolsonaro. Por José Cássio

Quem está na chuva é para se queimar, não ministro?

Sergio Moro saiu pela tangente com a conversa de que o fato constitui uma exceção ínfima e que o governo vai continuar empenhado no combate ao crime.

Mais inocente, típico de alguém que não teve tempo de tirar o pijama para assinar o termo de posse, General Augusto Heleno,  Ministro-chefe do GSI, que em última instância é o responsável pelo incidente, comentou candidamente sobre a falta de sorte do Brasil ao ser flagrado com 39 quilos de cocaína no avião da República justo a caminho de um encontro de líderes mundiais como o G-20.

Atrapalhado, Bolsonaro abandonou uma coletiva quando foi perguntado sobre o assunto.

No episódio envolvendo o militar brasileiro Manoel Silva Rodrigues, de 38 anos, preso nesta semana na Espanha, ninguém, no entanto, desceu tanto na baixeza como o ministro da Educação, Abraham Weintraub.

Teve a coragem de vir a público e fazer piada com um fato que joga na lata do lixo a claudicante credibilidade do Brasil em nível internacional e provavelmente sela irremediavelmente a imagem de Bolsonaro como um mandatário que se apresenta como ‘Tigrão’ para criminosos pé de chinelo e ‘Tchutchuca’ para milicianos de alta periculosidade, para usar uma expressão do deputado Zeca Dirceu quando traçou o perfil do ministro de Economia, Paulo Guedes, durante uma sessão na Câmara dos Deputados.

Pois não é que Abraham Weintraub relacionou a pacoteira de cocaína no avião da República aos ex-presidentes Lula e Dilma?

“No passado o avião presidencial já transportou drogas em maior quantidade. Alguém sabe o peso do Lula ou da Dilma?”, escreveu no Twitter.

A cafajestada obviamente ganhou as redes sociais e o termo “ministro da educação” se tornou o mais comentado. Palavras “militares” e “39 kg” ficaram praticamente o dia inteiro na lista de assuntos do momento do Twitter.

Weintraub, desde que assumiu o ministério da Educação, está abusando dos despautérios, sempre em nome de um certo ódio da população às esquerdas e ao PT.

Como se ele e seus colegas de desgoverno fossem uma espécie de mal menor, ou mal necessário, para ocupar um espaço na esfera administrativa do país enquanto o comunismo não se reorganiza e o PT padece da perseguição a Lula e seus pares.

A UNE foi rápida em responder.

“Não é no corredor de uma Universidade. É no avião presidencial do Brasil. Balbúrdia é esse Governo”.

Alguém tem dúvida?

 

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