
Escolhido como “consultor estratégico da comunicação” da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a crise envolvendo Daniel Vorcaro, o publicitário Eduardo Fischer chega ao núcleo eleitoral do senador com um histórico de relação conturbada em outra disputa presidencial.
Na eleição de 2018, Fischer foi contratado como estrategista da campanha de Alvaro Dias, então candidato ao Palácio do Planalto pelo Podemos. A relação entre os dois terminou em rompimento após brigas internas, acusações públicas de calote e até a expulsão de um integrante da equipe de marketing durante um debate presidencial.
Na época, Alvaro Dias relatava ter destinado a maior parte dos recursos de sua campanha para Fischer e sua equipe. O investimento tinha como foco a montagem de um estúdio em São Paulo e a contratação de profissionais para impulsionar a comunicação do candidato.
O então presidenciável chegou a afirmar ao Globo que precisou cancelar roteiros de viagens, incluindo uma agenda no Nordeste, para arcar com os altos custos da contratação do publicitário e de sua estrutura de campanha.
Semanas depois, no entanto, a relação se deteriorou. Alvaro Dias passou a chamar Fischer abertamente de “caloteiro” e dizia, em alto e bom som, que integrantes da equipe contratada não estavam recebendo salário. Segundo o candidato, a falta de pagamento afetava o trabalho da comunicação.
O desgaste também apareceu durante os debates presidenciais. Alvaro Dias não gostou das orientações recebidas de Fischer e de sua equipe desde os primeiros contatos. No último debate da campanha, um dos funcionários do marketing escalados para acompanhar o candidato foi expulso pelo próprio Alvaro Dias, que não queria a presença dele no programa.

O episódio marcou o fim de uma relação que havia começado com a expectativa de modernizar a comunicação da candidatura. Fischer era tratado como uma peça estratégica para dar mais força à imagem de Alvaro Dias, mas a parceria terminou cercada por acusações e desconfiança.
Agora, o publicitário passa a atuar na campanha de Flávio Bolsonaro em um momento de pressão política sobre o senador. A escolha ocorreu após a crise provocada pela relação de Flávio com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, investigado em apurações que envolvem o banco e operações financeiras sob análise das autoridades.
Procurado, Fischer não respondeu aos contatos da coluna. Pessoas próximas ao publicitário afirmam que ele não era o responsável financeiro pela campanha de Alvaro Dias e que não cabia a ele realizar os pagamentos dos contratados.
Esses interlocutores também dizem que Fischer permaneceu como consultor estratégico até o fim da campanha de 2018 e que a prestação de contas do então candidato à Justiça Eleitoral não apresentou problemas.