A chance de Lula reverter o “tariFlávio” de Trump, segundo o Planalto

Atualizado em 6 de junho de 2026 às 7:37
Donald Trump e Lula na Casa Branca. Foto: Ricardo Stuckert

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda vê espaço para negociar com a administração de Donald Trump e evitar a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Nesta semana, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu duas investigações comerciais contra o Brasil e sugeriu sobretaxas ao país.

Segundo o Metrópoles, interlocutores do Palácio do Planalto afirmam que, apesar do desconforto causado pelas medidas, o governo brasileiro mantém a expectativa de que conversas com autoridades estadunidenses possam impedir a entrada em vigor de pelo menos uma das tarifas.

A principal aposta, no curto prazo, é uma videoconferência entre os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, com Jamieson Greer, chefe do USTR. A reunião deve tratar da proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, mas a data ainda não foi confirmada.

O governo trabalha com cenários distintos para as duas sobretaxas. A avaliação é que há mais margem para negociar a tarifa de 25%, por se tratar de uma medida direcionada exclusivamente ao Brasil. Já a taxa de 12,5%, proposta contra 59 países e a União Europeia, é vista como mais difícil de reverter.

As duas investigações foram conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Na primeira, o USTR propôs tarifa de 25% sob a alegação de que o Brasil adota práticas consideradas “irrazoáveis” ao comércio americano. O relatório cita pontos como o Pix, tarifas vistas como desleais, falhas no combate à corrupção, desmatamento e acesso ao mercado de etanol.

Na segunda investigação, o órgão sugeriu tarifa de 12,5% contra países que, segundo Washington, teriam falhas na proibição e fiscalização da comercialização de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Para auxiliares de Lula, essa medida foi “feita para não ser revertida”, porque atinge também aliados dos Estados Unidos.

Mesmo assim, integrantes do governo avaliam que a tarifa de 12,5% pode ser usada como argumento para negociar a taxa mais alta. A lógica é tentar evitar que o Brasil seja submetido a duas cobranças simultâneas sobre seus produtos.

O Planalto também considera que a relação entre Lula e Trump segue preservada, mesmo após o anúncio das tarifas e a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Casa Branca, em 26 de maio. Os dois presidentes estarão na cúpula do G7, marcada para os dias 15 a 17 de junho, na França, mas ainda não há pedido formal de reunião.

Flávio Bolsonaro ao lado de Donald Trump na Casa Branca. Foto: reprodução

Auxiliares de Lula afirmam que um encontro só faria sentido se houver avanço nas negociações técnicas. O prazo do grupo de trabalho criado após a reunião entre Lula e Trump na Casa Branca termina neste domingo (7), mas as equipes devem seguir em contato até 15 de julho, data prevista para a aplicação das tarifas caso não haja acordo.

O governo brasileiro diz estar aberto a discutir alternativas, desde que a iniciativa parta dos Estados Unidos. Nos bastidores, a avaliação é que Washington ainda não deixou claro o que busca nas negociações. Um ponto, porém, está fora da mesa: qualquer concessão envolvendo o Pix.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.