A ciclovia da Paulista resgatou a avenida das milícias coxas e a devolveu a quem de direito. Por Kiko Nogueira

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A inauguração da ciclovia da Paulista devolveu aos paulistanos sua avenida símbolo, que havia sido sequestrada pelas milícias coxinho-golpistas durante os protestos.

Eles estavam lá, aliás. Perto de 20 membros do Movimento Brasil Livre, debaixo de uma marquise nas proximidades da Bela Cintra, todos de camisa branca com o mesmo logo, usando o mesmo perfume, gritando: “Fora PT!” Um deles falava que aquilo era coisa de socialista safado.

Foram calados com o contraberro “Fascistas! Fascistas!” Um sujeito obeso, exaltado, queria briga. A polícia cercou-os e logo depois eles foram obrigados a puxar o carro.

Era a única saída, já que quem estava ali queria passear de bike e caminhar, não empunhar bandeiras. Provavelmente ninguém sabia que houvesse tantas bicicletas na capital. A PM, para surpresa de ninguém, não divulgou o número de pessoas.

Se os carioca têm a Avenida Atlântica, por que São Paulo não pode ter a Paulista fechada para carros no domingo? Há uma demanda clara por espaços de lazer que parques como Ibirapuera ou Villa Lobos não dão conta.

Fernando Haddad chegou sozinho às 10h30 para a inauguração. Parou no Hospital Santa Catarina, onde um grupo de ciclistas e a imprensa o aguardavam. Dez minutos depois surgiu Eduardo Suplicy, também pedalando.

A comitiva seguiu pelo canteiro central em direção à Praça dos Ciclistas, esquina com a Consolação, onde Haddad fez um discurso sobre mobilidade. David Santos, o rapaz que foi atropelado por um motorista embriagado e perdeu um braço, falou sobre a importância de ações como aquela.

Algumas das travessas foram ocupadas por food trucks. Barracas foram armadas. Os músicos tradicionais da área tiveram um público incomum. O Elvis do Center 3 estava especialmente inspirado. Não houve incidentes.

Não houve também uma cobertura televisiva minimamente parecida com qualquer ato que reúna meia dúzia de debiloides de direita. A via totalmente tomada e nenhum helicóptero dando rasante, nenhum drone, nada. Uma não notícia.

São Paulo passa a ter, agora, 307,4 quilômetros de ciclovias. A meta de Haddad é 400. Ele acredita que esse será o pedaço mais importante de seu legado. No próprio PT Haddad sofre resistência sobre o que é considerado sua obsessão.

O ciclismo é uma ideia fixa do prefeito, de fato, e talvez ele pudesse dar atenção a outras áreas de sua administração.

Mas essa fixação acabou ajudando a combater outra, que se acreditava invencível: a fixação pelo carro. As ciclovias e ciclofaixas estão mostrando aos paulistanos que há alternativas de mobilidade urbana, a cidade pode ser reinventada e não precisa ser tão canalha a semana inteira. Aos domingos, ao menos, ela pode ser, se não bonita, aprazível e civilizada, eventualmente até mesmo para um coxinha descerebrado.

 

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